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O campo em jogo

Produtores apresentarão o que há de melhor em suas fazendas para o público das Olimpíadas Rio 2016

O campo em jogo

PRODUÇÃO: o agricultor Ricardo Fritsch, de Picada Café (RS), com a linha de sucos da Coopernatural que será oferecida nos Jogos Olímpicos Divulgação

Aos 45 anos, o agricultor gaúcho Ricardo Fritsch, do município de Picada Café, a cerca de 100 quilômetros de Porto Alegre, já conta com a participação em dois eventos esportivos mundiais. O primeiro foi a Copa do Mundo de futebol em 2014, quando ele esteve em Salvador. O segundo será as Olimpíadas do Rio de Janeiro, entre os dias 5 e 21 de agosto. Mas o produtor passará longe dos campos de provas. Enquanto os atletas estiverem disputando medalhas, ele estará em um dos pontos turísticos do Rio chamando a atenção dos turistas para a linha de sucos orgânicos da Cooperativa Vida Natural (Coopernatural), entidade presidida por ele e que reúne mais 33 agricultores de sua região. “A ideia é mostrar a riqueza de sabores que há no País”, diz Fritsch. “E nada melhor que um bom suco para isso”.

O produtor faz parte de um grupo de 45 empresas e associações de agricultores familiares de 18 Estados, entre eles Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Santa Catarina, que estarão no Rio de Janeiro. Os produtores apresentarão o que é feito de melhor no campo a um público estimado em 500 mil turistas. A iniciativa é do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em parceria com outros órgãos governamentais, entidades de classe e empresas. Trata-se da reedição do trabalho que já foi desenvolvido para a Copa do Mundo de futebol, no qual 60 empreendimentos da agricultura familiar e orgânica foram instalados em dez cidades. Na época, o movimento financeiro dos produtores foi de R$ 128 mil.

No Rio de Janeiro, além dos sucos da Coopernatural, uma seleção de polpas e compotas de frutas, cafés especiais, mel e castanhas estarão à venda, em quatro destinos turísticos como o Pão de Açúcar, por exemplo. Para Fritsch, o evento será uma importante vitrine de negócios. “Na Copa, fechamos o contrato com três empresas baianas.” Oportunidades como esta fizeram o faturamento da cooperativa crescer 70% no ano passado, fechando em R$ 1,2 milhão. Para este ano, a expectativa é dobrar a receita.

Os produtores da Coopernatural cultivam uma área de 320 hectares, na qual há frutas como laranja, tangerina, maçã, pêssego e uva, além de feijão, linhaça, trigo e cevada. Eles são utilizados para a fabricação de sucos, geleias, cervejas ou vendidos a granel. Nos eventos esportivos, a entidade escolheu os sucos como a melhor opção para mostrar a sua marca. “Os sucos são produtos de consumo rápido, combinam com a praia e ajudam a hidratar o corpo”, diz Fritsch. “A combinação foi perfeita para a Copa do Mundo e vai servir muito bem às Olimpíadas.”