Negócios

O MIT do agronegócio

Inspirada na célebre instituição universitária americana, escola gaúcha prega o "aprender fazendo" como método de ensino

PLUGADOS: nas atividades da fazenda, o ensino da porteira para dentro agora é on-line e pode fazer parte da lida diária de peões, gerentes e administradores

Pelos corredores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, circularam 77 ganhadores do prestigiado Prêmio Nobel. Mais conhecida pela sua sigla em inglês, MIT, essa instituição de ensino sesquicentenária, fundada em 1861, é um motor de pesquisas científicas e desenvolvimento de tecnologia. Seu fundador, o geólogo e físico William Barton Rogers (1804-1882), acreditava no processo de “aprender fazendo”. É da escola, baseada em Cambridge, no Estado de Massachusetts, que surgiu a inspiração do I-Uma, Instituto Universal de Marketing em Agribusiness, empresa sediada na região central de Porto Alegre e que almeja ser uma referência de pesquisa e capacitação do agronegócio. “Quero ser o MIT do agronegócio”, afirma o sociólogo e economista José Américo da Silva, presidente- executivo e fundador do I-Uma, em 2002, e que enfoca marketing de gestão para toda a cadeia do agronegócio. Agrônomos, gerentes e diretores de empresas, colaboradores e acadêmicos de diversas áreas podem se inscrever.

Ter um pé no lado prático do campo – “antes e depois da porteira”, nas palavras de Américo – norteia as escolhas dos docentes do I-Uma, que oferece cursos e palestras sobre marketing voltado para o agronegócio há dez anos. Por ser um instituto, o I-Uma consegue chamar professores de outras faculdades. Hoje, 90% das classes são conduzidas por profissionais com doutorado, de acordo com Américo.

Somando os alunos de cursos de extensão e pós-graduação, que abriu há seis anos, quatro mil estudantes já foram formados pela instituição. O plano de Américo é expandir ainda mais esse número de alunos com a modalidade de ensino a distância (EAD). Ele investiu R$ 2 milhões na montagem de um sistema com tecnologia da americana Blackboard, especialista em criação de plataformas de educação com sede em Washington, a capital dos Estados Unidos.

AMÉRICO, FUNDADOR DO I-UMA: desde 2002, mais de quatro mil alunos já foram formados pela escola de Porto Alegre

A plataforma gaúcha estreou no mês passado com cinco cursos, de 24 a 31 horas, por cerca de R$ 300. No próximo semestre, novas modalidades serão abertas. E o acesso à sala de aula virtual também vai ser facilitado em breve. Aplicativos para tablets e celulares estão no horizonte do empreendedor para serem lançados em 2013. No segundo semestre, o plano é lançar cursos maiores, de mais de cem horas. Os interessados em obter pós-graduação latu sensu deverão somar 360 horas ou mais, conforme exigência do Ministério da Educação. “A ideia é dar flexibilidade. Se tu quiser, pode fazer um curso mais voltado para grãos. Ou para carnes”, afirma Américo, com seu sotaque gauchês. Os nomes de cursos como especialização em gestão e comercialização para a cadeia do arroz não deixam Américo mentir. Se mesmo pela web ficar difícil, o I-Uma dá uma de montanha de Maomé e faz curso in company. Ou in farm, como a I-Uma prefere chamar quando vai até uma fazenda.

Em comum em todas as modalidades é o alto grau de exigência. Américo deixa bem claro que ninguém “paga pelo diploma” I-Uma. “Se eu ponho gente ruim no mercado formado pelo I-Uma, é ruim para a instituição de ensino, para o profissional, para quem contratar o profissional… em última instância, para todo o mercado”, analisa.

O “lado MIT” do I-Uma também vai ser reforçado com o Observatório Agroindustrial. Segundo Américo, há uma escassez de estudos de agronegócio no Brasil. O observatório terá uma ferramenta para rastrear e juntar os dados espalhados na imprensa e nos meios acadêmicos – seja do I-Uma ou não – para estimular a circulação do conhecimento. A troca também vai acontecer em uma rede social chamada Alumni Up to Date, que visa a conectar os ex-alunos do I-Uma. Rede social? Américo não hesita: “É um agro-Facebook.” Sempre após as comparações feitas com organizações do exterior, em tom de brincadeira com fundo de verdade, Américo diz que o agronegócio brasileiro precisa aprender urgentemente a ir além da exportação de commodities. “Imagina o que seria desse País se agregássemos mais valor aos produtos que saem do campo?”, indaga.

O I-Uma não quer ficar só na arquibancada teórica. Ex-executivo do Citibank e ex-presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) do Rio Grande do Sul, Américo está a ponto de ir “depois da porteira”. O plano é que o I-Uma preste serviço de consultoria para empresas do agronegócio em breve. E isso o MIT ainda não faz.