Negócios

O peso das máquinas

Cresce a venda de colhedeiras no País, enquanto a de tratores recua por conta do recorde de vendas do ano passado

O movimento de migração das vendas do sul do País para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste – especialmente nos Estados de Mato Grosso e Goiás –, e o aumento do consumo por colhedeiras devem ser o pivô da estabilidade, neste ano, do mercado de máquinas e equipamentos agrícolas. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), divulgados no início de setembro, mostram que as vendas de colhedeiras apresentaram um crescimento de 9,4%, entre janeiro e agosto, período em que quase 2,9 mil unidades foram comercializadas. “No mercado interno, a demanda está aquecida não só no Sul, onde sempre foi muito forte, como em outras regiões do País”, afirma Luiz Cambuhy, gerente regional de vendas da Valtra, marca do grupo Agco. Ao mesmo tempo, as exportações de colhedeiras também estão crescendo. De acordo com especialistas do setor, o avanço na produção de grãos nos países da América do Sul, como a Argentina, deu novo ritmo às indústrias de máquinas agrícolas nesta safra. Nos oito primeiros meses do ano, o setor exportou 11,9 mil máquinas, um crescimento de 5,2% sobre o registrado no mesmo período em 2010.

Mas, enquanto o comércio de colhedeiras avança, o mercado de tratores, segundo levantamento da Anfavea, aponta uma redução de 10,4% no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto de 2010 foram vendidas 40,2 mil unidades, ante 36 mil neste ano. A saturação das vendas provocada pelos programas sociais do governo Federal no ano passado, como o Mais Alimentos e o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), contribuiu para a queda neste ano, acredita Carlito Eckert, diretorcomercial da Massey Ferguson.

No ano passado, o volume total de tratores comercializados no País atingiu 68 mil unidades. A expectativa é de que, se tudo caminhar bem, a indústria deverá fechar 2011 com 52 mil tratores vendidos.

AQUECIDO: Cambuhy (à esq.) e Pontes dizem que o Centro-Oeste, Nordeste e Norte do País são as novas apostas

 

Apesar da queda geral nas vendas, no início de setembro, parte do setor comemorava. Trata-se dos fabricantes que têm no sul do País um endereço certo para o comércio de máquinas. A Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários, a 34ª Expointer, realizada entre os dias 27 de agosto e 4 de setembro, em Esteio (RS), encerrou o calendário do circuito dos principais eventos de tecnologia do agronegócio no País, com recorde de comercialização.

Segundo dados do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul, as vendas durante o evento alcançaram R$ 834,7 milhões para 15 colhedeiras e 230 tratores, superando a edição de 2010, quando foram negociados R$ 827,5 milhões. Desse total, 25% foram financiados pelo programa Mais Alimentos. Os números devem ser maiores, pois muitos negócios iniciados durante a feira ainda serão fechados nos meses seguintes”, diz Eckert.

É a diversificação das atividades no campo e a grande quantidade de pequenas e médias propriedades rurais dedicadas às culturas como arroz, soja, milho e trigo que faz do Rio Grande do Sul ainda um mercado importante para a indústria de máquinas agrícolas, com participação de 25% das vendas anuais, no mercado interno. A onda positiva que atingiu o Estado, porém, já vem invadindo gradativamente outras regiões do País. “As novas fronteiras agrícolas estão contribuindo para elevar as vendas”, afirma João Pontes, diretor de marketing para a América Latina da John Deere. “Que esse cenário se repita em 2012”, diz.