Negócios

O rei do café gourmet

O produtor Ar thur Moscofian Junior aposta nos grãos especiais para atender a um mercado diferenciado, que cresce cinco vezes mais do que o tradicional

Nascido em um casarão centenário da avenida Paulista, em São Paulo, coração do maior centro financeiro do País, Arthur Moscofian Junior nunca escondeu sua paixão pelo campo. Mas, embora fosse filho e neto de produtor rural, ele estudou e se formou em engenharia civil e durante muitos anos dedicou-se apenas a comandar os negócios imobiliários da família. Moscofian Junior também foi proprietário de vários restaurantes em regiões nobres da capital paulista na década de 1980. Foi nessa época, também, que ele iniciou seu retorno às origens, ao assumir a administração da fazenda Santa Monica, em Machado, sul de Minas Gerais, na qual reside atualmente e onde produz, por safra, quatro mil sacas de um café gourmet de alto valor agregado e de demanda crescente, numa área de 90 hectares. Longe da agitação da grande cidade, Moscofian Junior passou a ter uma vida menos estressante, porém não menos desafiadora. “Para o café gourmet há um mercado altamente remunerador, mas que nos cobra uma dedicação total”, diz Moscofian Junior.

Na ponta do lápis, a opção do produtor faz sentido. Enquanto uma saca de 60 quilos do café comum chegou a cotações ao redor de R$ 420 nos últimos meses, nos cafés gourmet o preço pago ao produtor foi de R$ 750 a saca. No mercado internacional, a remuneração é ainda mais atraente. “Conseguimos exportar a saca pela média de R$ 1,6 mil”, diz o produtor. “O mercado internacional é muito vantajoso para nós.” No  mês passado, Moscofian esteve por 15 dias na Europa visitando clientes. A fazenda Santa Monica exporta café para os  Estados Unidos, Itália e Japão desde 2002. Para conseguir chegar aos grãos de qualidade que o mercado exige, Moscofian Junior vem apostando alto em tecnologia. Na Santa Monica,  um sistema de plantio sustentável, com fertirrigação, no qual cada pé de café recebe os nutrientes diretamente na raiz da planta, aumentou a produtividade da área e tem garantido um percentual de até 80% de grãos arábica com características gourmet.  A fazenda produz uma média de 45 sacas de café gourmet por hectare, cerca de 25 sacas a mais que a média de Minas Gerais. Moscofian Junior é um entusiasta da fertirrigação. “Com ela, conseguimos dobrar a produção, além de diminuir os custos de mão de obra”, diz o empresário.

Os dados de mercado mostram que o produtor está no caminho certo. Segundo a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), o consumo de cafés especiais cresce cinco vezes mais que o do café tradicional. Enquanto o primeiro avança cerca de 15% ao ano, com um consumo atual de cerca de um milhão de sacas, o segundo evolui apenas 3% ao ano, com 19 milhões de sacas. Já os dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mostram que os cafés especiais correspondem a 5% do atual volume produzido, cerca de 2,4 milhões de sacas. A quantidade ainda é pequena, mas crescente. A expectativa é de que nos próximos dez anos essa participação chegue a 12% do volume. 

Entre os clientes da fazenda Santa Monica está o empresário Walter Mancini, dono de restaurantes como a cantina Famiglia Mancini, localizada no centro de São Paulo. Mancini é um dos clientes mais antigos da Santa Monica. Atualmente, são transformados em bebida – servida em seus restaurantes – 160 quilos de grãos gourmet por mês. “O café Santa Monica é um produto de excelente qualidade, e com ele temos recebido constantes elogios”, diz Mancini. Moscofian Junior também tem outros clientes de peso, como a Barbacoa, uma das churrascarias mais badaladas de São Paulo, que compra 200 quilos de grãos por mês. 

No mercado internacional, a fazenda também quer conquistar mais clientes. Atualmente, as exportações representam 30% da produção, cerca de 1,2 mil sacas, por safra. As vendas ao Exterior acontecem
em parceria com a BSCA e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil). Os americanos são os maiores clientes, com cerca de 81 sacas do grão por ano, mas o objetivo é
atingir novos mercados. “Queremos vender para a Itália e Ásia”, diz Marcelo, filho de Moscofian Junior, responsável pela distribuição da produção. “São mercados que querem qualidade e queremos estar lá.” 

 

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