Negócios

Os 100 nomes mais influentes do agronegócio – Universidade e pesquisa


Maurício Lopes, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

“Água, energia, meio ambiente, alimento e pobreza incorporam grandes desafios a serem enfrentados pela humanidade, nas próximas décadas. Desafios que vão além das fronteiras das nações, como as mudanças climáticas, que tornam incerta a produção de alimentos e de energia, a estabilidade dos biomas e o futuro das populações mais desamparadas.

O Brasil é o único país no cinturão tropical do planeta que alcançou a posição de potência agrícola. No entanto, a condição tropical tem lá seus ônus.  Pragas, doenças, secas ou calor excessivo são estresses que se tornam cada vez mais frequentes.  Além de enfrentá-los, teremos de elevar a produtividade da nossa agricultura com tecnologias de baixo impacto, garantindo renda ao produtor.
Em resposta a essa realidade, a Embrapa lidera um amplo diálogo na busca de uma nova ‘Aliança para a Inovação Agropecuária no Brasil’, envolvendo organizações públicas e privadas de pesquisa, inovação e ensino.  Aliança para promover articulação, alinhamento e sinergia em torno de uma agenda de contínuo fortalecimento da agropecuária brasileira.”

Luiz Nery Ribas


Em abril deste ano, Luiz Nery Ribas, diretor técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), assumiu a presidência do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). Sem fins lucrativos e formado por profissionais e pesquisadores de 11 empresas do setor de defensivos e sementes, o Cesb é, hoje, uma das principais entidades que se dedicam a pesquisar o potencial produtivo da soja, no País. E com uma diferença: em vez de laboratórios, o Cesb mede a produtividade no campo, através de um concurso entre os agricultores. O evento acontece há sete safras consecutivas.

José Gustavo teixeira Leite


O engenheiro mecânico José Gustavo Teixeira Leite assumiu o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) em 2011, ano em que a entidade se tornou uma sociedade anônima para ter mais alternativas na captação de recursos financeiro. Teixeira Leite, que já foi executivo de empresas como Phillip Morris, Michelin e Monsanto, coordena várias frentes de pesquisa, entre elas a produção de etanol de segunda geração, o aumento de produtividade nas lavouras e variedades transgênicas de cana-de-açúcar, além de ferramentas de precisão, máquinas e insumos.

Wagner Furtado Veloso


A Fundação Dom Cabral (FDC), com sede em Belo Horizonte e escrtório em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, é presença consolidada entre as melhores escolas de negócios do mundo. Desde 2012, o presidente executivo da entidade é o administrador Wagner Furtado Veloso. No agronegócio, o foco da FDC, é a gestão dos empreendimentos em todas as suas dimensões, e com isso tem se colocado na vanguarda dos desafios no campo. Nos últimos anos, por exemplo, têm ganhado terreno na FDC  os desafios da sucessão familiar no agronegócio, um dos temas mais atuais no setor.

Antonio Roque Dechen


Em novembro do ano passado, o agrônomo Antonio Roque Dechen se tornou, presidente do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), entidade que reúne profissionais ligados a atividades técnico-científicas, com o objetivo de se posicionar em relação a temas ligados à sustentabilidade da agricultura. Dechen possui um currículo extenso na academia, entre eles o de professor e vice-reitor da Esalq/USP, de Piracicaba. Também é autor de oito livros de agronomia, além de orientador de cerca de 40 teses de mestrados e doutorado.

Fernando P. Cardoso


O agrônomo Fernando Penteado Cardoso completou 101 anos no dia 19 de setembro. Além de empresário, como fundador da Manah, uma das principais fabricantes de fertilizantes do País, hoje controlada pela Bunge, e de ser um dos grandes criadores de nelore, com rebanho em Minas Gerais, Cardoso é um entusiasta do ensino e da pesquisa. A Fundação Agrisus, criada por ele em 2001, com foco na educação, já deu apoio a cerca de 650 projetos, entre eles bolsas de estudos, organização de eventos e pesquisas agronômicas.

Tsai Siu Mui


Em fevereiro do ano passado, a agrônoma e professora da Universidade de São Paulo, Tsai Siu Mui, se tornou diretora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), o mais importante laboratório desse gênero de pesquisa no País. Tsai é a primeira mulher a ocupar o cargo, desde que o centro foi criado, em 1966. Após ingressar no Cena, em 1968, a pesquisadora construiu uma extensa carreira acadêmica, na qual sobressai um pós-doutorado nos Estados Unidos. No ano passado, ela  recebeu o prêmio Desafio 2050 no Agronegócio, concedido pela FAO.


Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas e embaixador especial da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO)

“Fala-se muito em segurança alimentar: não passa um dia sem que se trate disso em debates, no mundo inteiro. Não é para menos, pois garantir alimentos para a população é também garantia de paz universal. Por outro lado, muitos estudos a respeito se concentram no abastecimento, sugerindo medidas importantes para que o alimento chegue a todos os rincões. E nem sempre se analisa o outro lado, anterior e prioritário, que é o da produção. 

Quando se olha esse segmento, o Brasil surge com grande potencial supridor de alimentos, além de fibras e energia. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a FAO, a demanda de alimentos crescerá 20%, globalmente, em 10 anos. E para que a oferta acompanhe essa matriz, o Brasil tem de aumentar sua produção exportável em 40%, o que seria possível, dada a nossa tecnologia tropical sustentável, a disponibilidade de terras para aumentar a área cultivada e, sobretudo, pela ação dos nossos agropecuaristas comprometidos com a produtividade e as boas práticas agrícolas.”