Negócios

Poupança verde

As fazendas florestais são a nova tendência do agronegócio e têm grande potencial de geração de renda e de empregos formais no campo

ESCOPO MAIOR: Cornaccioni tem atraído pequenos produtores para o setor

O Brasil tem uma missão pela frente: liderar o mercado mundial de silvicultura, as chamadas florestas plantadas. O desafio foi lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que diz acreditar no potencial nacional, principalmente no cultivo do eucalipto e do pínus para a geração de renda e energia. Lula não está sozinho. O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também acredita nesse filão. Para ele, a atividade, além de ser ecologicamente correta, pode servir como alternativa para pequenos e médios produtores. Tanto Rodrigues quanto o presidente têm suas afirmações apoiadas em dados que mostram a descoberta dessa nova forma de ganhar dinheiro na agricultura. “É como se fosse uma poupança verde”, resume César Augusto Reis, presidente da Associação Brasileira dos Plantadores de Árvores (Abraf). Segundo ele, os investimentos serão vultosos nos próximos dez anos. Nesse período, de acordo com estimativa da entidade, serão aportados cerca de US$ 20 bilhões pela indústria de papel e celulose. O dinheiro será utilizado na ampliação e construção de novas plantas de indústrias. Cada unidade sai, de acordo com Reis, por US$ 2 bilhões. “Mas o mercado ainda precisa da madeira para a fabricação de móveis, lenha para a secagem e armazenagem de grãos, sem contar o carvão”, diz.

U$S 20 bilhões estão sendo investidos no Brasil em grandes projetos de pínus e eucaliptos

FLORESTAS PLANTADAS: fomento da indústria financia 35% da produção nacional FLORESTAS PLANTADAS: fomento da indústria financia 35%

A pujança do setor, porém, tem ido além dos limites das grandes fábricas e está chegando ao pequeno e médio produtor rural. Com áreas em expansão, grandes empresas do setor têm terceirizado parte de suas produções, fomentando o cultivo do eucalipto em pequenas propriedades. Um exemplo é a Companhia Suzano de Papel e Celulose, que cedeu 25% de sua produção, algo em torno de 70 mil hectares, a terceiros. De acordo com o gerente de relações institucionais, Luis Cornaccioni, os acordos são celebrados de modo a tornar a atividade segura e atrativa para os colaboradores. A empresa fornece as mudas e a assistência técnica. O material usado é o mesmo das florestas próprias da Suzano. Os insumos usados no combate às pragas também são financiados e o pagamento ocorre em forma de madeira, com a própria colheita. “Normalmente esse adiantamento representa 20% da colheita”, diz. Abatidos todos os custos, o rendimento médio de um produtor é de R$ 8 mil por hectare. A título de comparação, uma propriedade de soja, que consiga uma produtividade média de 55 sacas por hectare, terá, nessa área, um rendimento de aproximadamente R$ 1,7 mil. A diferença é que cada hectare, numa plantação de árvores, tem uma safra a cada seis anos. “A margem de lucro é maior, no entanto, a médio e longo prazo”, diz Cornaccioni.

Quem espera obter bom rendimento é o produtor Fernando da Costa, de Salesópolis (SP). Ele plantou 84 hectares, divididos em sete lotes, e vai fazer o primeiro corte no começo de 2008. Ele espera alcançar um rendimento de R$ 100 mil por cada 12 hectares. Isso significa que, mantidos os preços atuais, ele terá R$ 700 mil de receita ao longo dos próximos sete anos e terá de fazer pouquíssimo manejo. “Fica tudo por conta da empresa compradora”, afirma. Empresário da construção civil, ele aposta na atividade como investimento. “Para quem não tem essa disponibilidade de tempo, é muito melhor do que deixar a terra parada ou até arrendar”, opina o empresário. “Não tenho dor de cabeça nenhuma, é realmente uma poupança verde”, afirma.