Negócios

Quem continuará o legado de Orestes Quércia no agronegócio?

Além da política, o ex-governador de São Paulo fincou raízes e deixou uma bela história na cafeicultura e na seleção de ovinos dorper e gado nelore

 

No campo: empreendedor, ele investiu pesado no nelore, sua grande paixão

O que engorda o boi é o olho do dono.” O ditado popular era seguido à risca por Orestes Quércia. Ele fazia questão de acompanhar de perto seus empreendimentos no setor rural. Aliás, em pouco tempo, passou a investir pesado no ramo e, segundo os amigos e parceiros, sabia muito bem onde colocar seu dinheiro. Tudo o que tocava se transformava em lucro certeiro. Acabou construindo um respeitado patrimônio no agronegócio. Vítima de câncer, Quércia morreu em dezembro último. E agora, quem vai dar continuidade ao trabalho das Organizações Sol Panamby que controlam as marcas Top da Raça (gado e ovinos) e Octávio Café? “a família”, diz Alaíde, a viúva, que avisa a saída do grupo da seleção de gado nelore. A tarefa será dividida com os quatro filhos do casal: Cristiane, Andrea, Rodrigo e Pedro.

A primeira decisão em relação ao legado de Quércia é cumprir uma vontade expressa pelo ex-governador.

No segundo semestre de 2010, com o agravamento do câncer, Quércia reuniu a família e os pecuaristas que mantinham parceria em animais para manifestar o desejo de liquidar o rebanho de nelore. A morte chegou antes do leilão marcado para este mês de fevereiro, quando 100 animais, de doadoras a bezerras, serão colocados à venda em eventos em Uberaba (MG), dia 20, e São Paulo (SP) dia 21. “Foi decidido encerrar as operações do nelore por causa do aquecimento do mercado de gado e também para focarmos agora na marca Octavio Café”, ressalta Alaíde Quércia.

US$ 8 MILHÕES

É o faturamento anual da marca octavio café

O político nato herdou dos antepassados (bisavô e avô) um pequeno cafezal, que continuou com o seu pai, Octavio Quércia. Em 2004, após a morte do patriarca, o cultivo do grão transformou a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, em Pedregulho, na região da Alta Mogiana (SP), numa das maiores produtoras de cafés especiais do País. Hoje, nas seis fazendas que fazem parte do empreendimento existem cerca de quatro milhões de pés plantados, com uma média de 30 mil sacas produzidas por ano. De lá, saem dez diferentes tipos de grão, dos naturais aos blends. A meta é nos próximos dois anos destinar 80% da produção para a exportação. Objeto de desejo de todo produtor de cafés especiais, as certificações internacionais socioambientais fazem parte das conquistas da Octavio Café. Já são duas: da Rainforest Alliance, que tem sede em Nova York, e a Utz Kapeh, da Holanda.

Em 2005, Orestes Quércia fundou a Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana. Foi presidente da entidade por quatro anos. Em 2007, se notorizou no mundo dos negócios ao adquirir, por valores não revelados, a centenária torrefadora Dallis Coffee, uma das principais empresas de cafés especiais da Costa Leste dos Estados Unidos.

 

Com a marca Octavio Café, em homenagem ao pai, Quércia inaugurou uma nova etapa na história dos grãos produzidos no Brasil. Hoje, o faturamento anual chega ao montante estimado de US$ 8 milhões. “Ele promoveu um marco histórico na cultura cafeeira. Sempre foi muito preocupado em agregar valor ao produto e unir os cafeicultores da região da Alta Mogiana. Sem o seu auxílio, o seu incentivo e a sua determinação, não teríamos toda essa visibilidade que temos hoje”, ressalta o atual presidente da associação, Milton Cerqueira Pucci.

Quércia também investiu na seleção de gado nelore. Em 2007, fez a maior aquisição do ano, ao arrematar a vaca JEN Açucena por R$ 1,5 milhão. Nascia a marca Nelore Top da Raça. Os animais se transformaram em sua grande paixão. O rebanho era formado por um time de vacas premiadíssimas, como Lacombe TE Kubera, Elegance VII Unimar, Amanda S. Nilza e Nalisha TE MPSI, doadora em destaque nas pistas e que custou a pequena fortuna de R$ 2,9 milhões quando arrematada em leilão por um condomínio formado por Quércia, Jonas Barcellos e João Carlos Di Gênio.

Na mesma época tomou gosto pela criação de ovinos Dorper e White Dorper, negócio que já vinha sendo administrado por sua esposa, Alaíde. Incentivado pelo amigo Valdomiro Poliselli Jr., o ex-governador investiu alto na criação. A Cabanha Dorper Top da Raça foi uma das pioneiras na seleção desta raça de origem sul-africana no Brasil. “Ele era um entusiasta e viu a potencialidade desses animais. Quércia sempre mencionava que o Dorper seria um divisor de águas na produção de carne de ovinos”, revela Poliselli Jr., presidente da Associação Brasileira de Criadores de Dorper.

As escolhas de Quércia no agronegócio

Sua marca, Organizações Sol Panamby, faz história no setor

 

 

Cafeicultura: A Octavio Café se firma como um dos maiores produtores de grãos especiais do País

 

 

 

 

A construção de uma marca

Década de 1940 – A família Quércia dá início ao cultivo de café em Igaçaba (SP), transferindo-se depois para Pedregulho, na região da Alta Mogiana (SP)

Década de 1990 – Orestes Quércia começa a dedicar-se também à Fazenda Nossa Senhora Aparecida, implementando um cafezal de qualidade

2004 – Com a morte do pai, Orestes Quércia incrementa a produção de grãos especiais e lança a marca Octavio Café com objetivo de conquistar o mercado de café premium

2005 – Quércia funda a Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana (SP)

– Alaíde Quércia inicia a seleção de ovinos na Cabanha Dorper da Raça, em Campinas (SP)

2007 – A Octavio Café entra no mercado com objetivo de se tornar uma referência internacional de cafés especiais

– Adquire a centenária torrefadora americana Dallis Coffee

– A Fazenda Nossa Senhora Aparecida abre a porteira para 800 matrizes nelore PO. Com a aquisição, nasce a marca Nelore Top da Raça

– O rebanho Nelore Top da Raça compra as primeiras doadoras e entra no hall dos grandes selecionadores ao adquirir a vaca JEN Açucena por R$ 1,5 milhão

– A Cabanha Dorper da Raça recebe o prêmio de Grande Campeão, na Feinco, com o Dorper Thor

2008 – Quércia vira sócio da vaca Nalisha TE MPSI, que custou R$ 2,9 milhões.

– Expansão do café premium e construção de torrefadora, em Pedregulho (SP)

2009 – Lançamento do Blend Dallis no Brasil. Tratava-se de café especial, com caracterização de marcas diferenciadas

2010 – A rede Octavio Café anuncia sua entrada no ramo de franquias, dentro e fora do Brasil. Nos Estados Unidos acontece o lançamento do Blend Octavio