Negócios

Revolução sergipana

Escondidos no interior do Estado, grupos de pequenos produtores de sucos tropicais deixam suas marcas nas gôndolas dos supermercados da região Sudeste e da Europa

Poderiam ser nomes pomposos da indústria nacional, como Petrobras e Votorantim, da família Ermínio de Moraes, um extraindo petróleo e o outro produzindo cimento, mas não. O que tem chacoalhado a balança comercial do Estado é um típico fruto da terra: o suco natural. E por trás dele estão duas empresas sergipanas, ambas marcando terreno no processamento das frutas, só que uma delas nas exportações e a outra nas gôndolas das maiores cadeias de supermercados da região Sudeste, como os grupos Carrefour e Pão de Açúcar.

TECNOLOGIA DE PONTA: químicos fazem o controle das amostras de cada bebida no laboratório

Com o apoio da Associação das Indústrias Processadoras de Frutos Tropicais – ASTN, entidade sediada em Aracaju e que vem instruindo os produtores nos últimos 20 anos, as empresas estão se fortalecendo e parecem muito próximas de dominar os mercados interno e externo de sucos tropicais, antes dominados pelo Estado de São Paulo, até hoje maior produtor de laranja do Brasil.

Em Sergipe a produção ainda está concentrada em frutas mais regionais como maracujá, abacaxi, acerola, caju, manga e goiaba, todas cultivadas por produtores locais, mas tem tudo para dominar também a produção de laranja nos próximos anos. O motivo? O crescimento abrupto do plantio de cana-de-açúcar para a extração de álcool no Sudeste. “Acredito que o Nordeste vai ser o principal produtor de laranja do Brasil em breve, uma vez que São Paulo está encolhendo a região citrícola com o avanço da cana-de-açúcar. Isso vai estimular a produção no norte da Bahia e de Sergipe, regiões que ainda não estão totalmente trabalhadas”, explica Diorane Morais Araújo, gerente administrativo da Tropfruit, empresa que já é a maior produtora de caju e maracujá do Brasil.

TRABALHO CONJUNTO: Etélio Prado (esq.), da ASTN, e Diorane Araújo têm o apoio da APEX

A produção, no entanto, agora é focada quase que exclusivamente no consumidor estrangeiro. Araújo explica que mais de 85% da produção de sucos da empresa tem como destino a Europa, o que torna a Tropfruit a segunda maior exportadora do Estado, atrás apenas da Votorantim Cimentos. Em números, isso representa nada menos que US$ 28,6 milhões nos cofres da empresa, contra apenas US$ 8,6 milhões no mesmo período de 2006. De acordo com o executivo, este crescimento de US$ 20 milhões está ligado diretamente à participação da Tropfruit em feiras internacionais de alimentos e bebidas com as comitivas organizadas pela ASTN e que tem o apoio do governo federal através da Agência de Promoção de Exportações – APEX.

“Nós temos participado das principais feiras do setor no mundo. Estivemos na Sial (na França) no ano passado e estaremos na Anuga (na Alemanha) em outubro, com nossos agentes de vendas”, completa Morais Araújo.

Não muito distante dali, no município de Boquim, outra empresa cresce a passos largos, mas focando em um público consumidor diferente. A Sumo Industrial, que começou sua produção há apenas 13 anos como uma empresa familiar, hoje produz todo o suco vendido com as marcas Pão de Açúcar, Extra, Dia e Carrefour.

“Estamos focados nas marcas próprias. As empresas definem a fórmula e nós fazemos o suco”

FRANCISCO LEBRE, SÓCIO DA SUMO INDUSTRIAL

Seu produto é um pouco diferente do oferecido para exportação, mas faz muito sucesso entre os brasileiros. O suco integral, como é chamado, é vendido exatamente do jeito que sai da fruta, necessitando apenas a adição de água e açúcar para seu consumo. “Este suco é a coisa mais próxima do natural”, afirma Francisco Lebre, um dos sócios da Sumo Industrial.

“Estamos muito focados nas marcas próprias. As empresas definem a fórmula e nós fazemos o suco. Esta gente só se conforma com o melhor”, explica Lebre. Mesmo atuando quase que exclusivamente no mercado interno, a empresa não tem do que reclamar. Em 2006 quase um milhão de caixas de sucos foram vendidas, 70% delas para as grandes redes varejistas, o que gerou um faturamento de R$ 24 milhões.

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