Negócios

Sob nova direção

Passar o controle da fazenda para os filhos nem sempre é tarefa fácil. Mas, se feita de forma adequada, a sucessão empresarial pode representar um forte ganho para todos

AFazenda Lagoa Bonita, localizada no município de Itaberá (SP), passou por grandes mudanças desde que as irmãs Vanessa e Andréa Fellete assumiram o comando das lavouras. Na propriedade de pouco mais de 2,5 mil hectares, onde apenas a soja era cultivada, elas optaram por diversificar a produção e fazer rotação de cultura, plantando também milho, trigo e feijão. Tudo em duas safras por ano. Mas a grande mudança aconteceu em 2002, quando as “meninas” decidiram ampliar os negócios e criaram uma fábrica de sementes com alto desempenho.

MENINAS PODEROSAS: Vanessa e Andréa Fellete, ao lado do pai, Ariovaldo Fellete

SEMPRE PRÓXIMOS: Alberto Milbradt passou o bastão para os filhos Edson e Anderson

A idéia deu certo e já no primeiro ano superaram a meta de comercializar 10 mil sacos de sementes de soja, chegando a 25 mil sacos. A história das irmãs é um exemplo de sucessão na fazenda bem planejada. Em vez de, simplesmente, passar o bastão para as filhas e se afastar do comando Ariovaldo Fellete, o patriarca, trouxe as herdeiras para perto do negócio, formando uma espécie de conselho de administração. “Eu via que elas tinham talento e sempre acreditei num bom trabalho”, conta Ariovaldo. “Eu fiquei com a parte comercial e financeira e a Andréa com a área de produção e qualidade. Meu pai cuida dos investimentos, e é líder por referência na empresa e participa de tudo quando solicitado”, conta Vanessa.

Mas nem sempre as coisas acontecem de forma tão harmônica. Segundo a coordenadora do curso de sucessão empresarial da Fundação Dom Cabral, Maria Tereza Hosco, conciliar é sempre a melhor saída. Segundo ela, o principal problema é a falta de diálogo, por isso é importante a entrada de uma terceira pessoa, no caso um curso de sucessão, para mediar possíveis conflitos. “Dentro da empresa as pessoas têm de se enxergar como acionistas, não como familiares”, explica. A classificação dos papéis dentro do sistema é muito importante.

Entrevistas são realizadas com todos os membros, inclusive com o principal executivo. A partir disso, monta-se um planejamento sob medida para cada caso. “Há muitos mecanismos e normalmente só o fato de a pessoa procurar um curso de sucessão mostra o interesse em fazer o processo da melhor forma”, explica.

Outro exemplo de sucessão que deu certo está na Fazenda Cedro, em Cachoeira do Sul (RS). Há quatro anos o rizicultor Alberto Luiz Milbradt passou o comando das lavouras para os filhos Edson e Anderson Milbradt. “Eles sempre participaram do trabalho da fazenda, então tive segurança para ir aos poucos deixando eles tomarem as decisões”, confessa. A principal mudança na fazenda foi em relação à adoção de tecnologias, em que os irmãos começaram a freqüentar dias de campos, procurar consultores e pesquisadores. A produção média, que era de 100 sacas por hectare, subiu para 148 sacas por hectare. E com menor custo de produção. “Foi um sucesso”, diz, orgulhoso, o patriarca da família. Para Maria Tereza, da Dom Cabral, esse é um trabalho que deve ser discutido e encarado de forma séria. “Toda empresa tem de ter os seus sucessores, e nos grupos familiares isso não pode ser diferente”, revela.