Negócios

Syngenta cria oásis em meio ao deserto

Gigante do agronegócio ergue centro de pesquisas em região desértica do Chile e aposta no desenvolvimento de novas variedades para ganhar mercado

Agricultura no deserto: clima da região de Arica deve ajudar a acelerar os estudos no novo centro

Quem observa a paisagem verde que surge em meio às imensas montanhas do Valle de azapa, localizado na cidade de arica, norte do Chile, pode imaginar que se trata de algum tipo de miragem. Mas as plantações de oliveiras e tomates cultivadas em uma área desértica são reais, fruto de um clima diferenciado e de tecnologia aplicada. Características que fizeram com que o local entrasse no radar da multinacional Syngenta, que aposta na região para revolucionar sua área de pesquisa e desenvolvimento. Com investimentos de uS$ 20 milhões, a empresa, que fechou 2008 com faturamento de uS$ 11,6 bilhões, dos quais uS$ 1,5 bilhão no Brasil, ergueu no meio do deserto o seu mais moderno centro de pesquisa e pretende desenvolver ali variedades que podem ampliar ainda mais sua participação no mercado agrícola mundial. “Trata-se de uma ação pioneira. Temos nesse centro condições únicas, não só no Chile, mas em todo o mundo. Isso nos levará a desenvolver produtos diferenciados em um tempo muito mais curto”, ressalta o diretor de pesquisa e desenvolvimento para a américa latina da Syngenta, Gloverson Moro.

As condições sugeridas pelo executivo brasileiro se referem ao clima estável da região. Lá, temperatura, luminosidade e umidade são praticamente as mesmas durante todo o ano. Com isso é possível realizar até quatro ciclos por ano, o que deverá acelerar as pesquisas. “esperamos conseguir pular etapas e diminuir três ou cinco anos no tempo necessário para o surgimento de resultados em pesquisa”, explica o diretor.

inicialmente, as pesquisas do novo centro, que ocupa uma área de 42 hectares e que deverá estar operando com 100% da capacidade apenas em 2013, serão direcionadas para as culturas de soja e milho, além de experimentos com girassol. o foco está no desenvolvimento de variedades com ciclos mais curtos e com alta produtividade. “daqui sairão produtos que podem ser importantes para o Brasil, como uma soja resistente à ferrugem, com menor ciclo vegetativo e com alta produtividade. além de milho resistente a nematoides”, pondera Moro, que não esconde que variedades transgênicas também estão nos planos. “Temos um bom clima para desenvolver variedades geneticamentes modificadas aqui. Principalmente variedades resistentes ao estresse hídrico. Mas por enquanto o foco está em híbridos convencionais”, revela.

INVESTIMENTO

US$ 20 MILHÕES

é o volume total de recursos aplicados na implantação do novo centro de pesquisa

Para alcançar esses resultados a empresa não aposta apenas no clima da região. o centro de pesquisa conta com alto grau de tecnologia aplicada. dentro das estufas, aspectos como luminosidade, umidade, temperatura e irrigação são controlados por meio de computadores, que acompanham toda a evolução das plantas. “reunimos todas as tecnologias disponíveis nessa central e aplicamos em um volume muito maior do que vinha sendo feito”, comenta o diretor. além disso, o centro deverá ser peça-chave para a evolução de todo o setor de pesquisa da empresa nos próximos anos, uma área considerada estratégica, que conta com um orçamento global de US$ 1 bilhão por ano. “o centro de arica será uma espécie de centralizador de estudos feitos em vários centros ao redor do mundo. aqui temos uma condição de aplicar todas as tecnologias em uma escala muito maior”, diz. no que depender dos planos da Syngenta, a paisagem verde do desértico Valle de azapa deverá aumentar nos próximos anos.