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Bijupirá, o salmão brasileiro

Este peixe pode transformar o Brasil numa grande potência mundial do mercado de pescado

Bijupirá, o salmão brasileiro

Bijupirá

Bijupirá ou Cobia é como este peixe nativo das águas brasileiras é conhecido no País. Com a aparência de um pequeno tubarão, esta espécie apresenta carne branca, textura elástica, sabor suave e filés de mais de um quilo. E as vantagens não param por ai. O bijupirá tem uma produtividade quatro vezes maior que a do salmão. Em um ano, ele chega a seis quilos e pode alcançar 15 quilos em dois anos. O gargalo era o fornecimento de alevinos para a produção comercial.

Mas este entrave foi resolvido com a inauguração do Laboratório Nacional de Aqüicultura Marinha (Lanam), administrado pela Fundação São Vicente, pertencente ao grupo TWB. Quando estiver funcionando em capacidade máxima, a unidade produzirá 1,5 milhão de alevinos de bijupirá por ano. “Até o momento, investimos R$ 30 milhões, mas o projeto todo está orçado em R$ 500 milhões”, explica Reinaldo dos Santos, presidente do grupo TWB.

Embora tenha sido inaugurado no mês passado, a história do Lanam teve início há quatro anos, com a parceria firmada com a Universidade de Miami, que detém a tecnologia de reprodução do peixe. “Não queríamos entrar na área comercial sem a tecnologia dominada”, diz Santos, que tem por meta faturar US$ 1 bilhão em cinco anos, com a produção de 100 mil toneladas de bijupirá, um terço de tudo que o País produz hoje.

Para isso, o Lanam capturou reprodutores para a produção de alevinos. “As matrizes têm uma alimentação especial, com sardinha, lula, camarão e ração, para que a ova tenha uma boa qualidade”, diz Maurício Santiago, coordenador de laboratório do Lanam. Cada fêmea pode desovar de um milhão a quatro milhões de ovos, mas o índice de fertilização não passa dos 20%. Após 24 horas, os ovos eclodem e já no segundo dia as larvas começam a se alimentar com rotífero, um tipo de zooplâncton produzido no laboratório. No décimo dia, o alimento passa a ser um microcrustáceo. No décimo quinto dia, a larva sofre uma metamorfose, passa a ser chamada de juvenil e começa a receber ração. Com 20 dias, os bijupirás são colocados em outro tipo de tanque, onde ficam até completar 50 dias.

ALGAS: reproduzidas em laboratório para alimentar zooplâncton. Ao lado, peixes com 30 dias

Depois deste período, os alevinos são transferidos para gaiolas em alto-mar, que costumam ter 24 metros de largura por 24 metros de altura e uma profundidade de oito metros. No entanto, no momento, a TWB está com tanques experimentais menores. A produção própria do grupo deve se concentrar numa fazenda em Cananéia, litoral sul de São Paulo.

No entanto, a companhia está investindo em um laboratório na Bahia, Estado em que pretende trabalhar no modelo de integração, o mesmo usado por empresas como Sadia e Perdigão. A empresa entrará com alevinos, ração e assistência técnica. O pescador, por sua vez, entra com a infra-estrutura, que poderá ser financiada pelo Banco do Nordeste via Pronaf. O contato com os pescadores deve acontecer por meio da Fundação Odebrecht, com quem a TWB está na iminência de firmar um acordo. A expectativa do grupo é ter um leque de 20 mil pescadores integrados dentro de cinco anos.

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