Tecnologia

Colheita nos céus

Preocupados com a escassez de alimentos, estudantes americanos criam projeto de fazenda vertical para combater a fome no mundo

ALTA TECNOLOGIA: o trabalho vem sendo feito há oito anos e a obra deve custar mais de US$ 80 milhões

Um grupo de estudantes norte-americanos radicalizou o conceito de agricultura indoor e ainda por cima empilhou a idéia. Explica-se. A agricultura feita em estufas não é novidade, todos sabem. Tanto é que vem sendo cada vez mais utilizada naquelas regiões com baixas temperaturas ou fortes fenômenos naturais – Japão, Canadá e países da Escandinávia, por exemplo, têm indústrias de estufas prósperas. Mas o que os alunos da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo é algo que promete mudar a concepção de agricultura indoor entre os produtores de todo o mundo. Orientados pelo professor Dickson Despommier, especializado em ciência da saúde ambiental na Universidade de Columbia, os estudantes estão há pelo menos oito anos projetando uma “fazenda vertical”: um prédio construído com a mais alta tecnologia disponível e totalmente dedicado ao cultivo de alimentos.

SIMPLES, MAS EFICIENTE: fazenda de 30 andares pode alimentar até dez mil pessoas

A idéia é simples, mas vem exigindo muita pesquisa e principalmente altos investimentos. “Já investimos muito dinheiro nas pesquisas de alimentos que podem ser produzidos em recinto fechado, mas acreditamos que será possível cultivar qualquer tipo de alimento no local”, conta à DINHEIRO RURAL, com exclusividade, Despommier. “Neste primeiro momento podemos dizer que milho, arroz, tomate, pepino, cenoura, pimenta, ervas e morango possam ser cultivados, mas a maioria dos produtos hoje consumidos pela população mundial também poderão ser produzidos.”

Mesmo custando algo em torno de US$ 84 milhões, uma fazenda vertical poderia gerar uma grande economia. De acordo com o professor, os investimentos valem a pena se pensarmos a longo prazo. Despommier explica que daqui a 50 anos a população mundial pode chegar a 9,2 bilhões de pessoas, o que exigiria uma área adicional de 10 bilhões de hectares de terras dedicadas ao plantio de alimentos. Esta área, no entanto, não está disponível.

Uma das principais afetadas em caso de uma possível falta de alimentos, a China aparece como principal interessada nas fazendas verticais. “A China está muito interessada neste tipo de tecnologia. Esperamos que eles invistam no projeto, pois isso seria muito importante para eles”, continua o professor, que espera ver sua criação em pleno funcionamento até 2015. Utilizando tecnologia de ponta, uma fazenda vertical com 30 andares poderia atender às necessidades de mais de 10 mil pessoas. Para abastecer uma cidade como São Paulo – e seus 11 milhões de habitantes – seriam precisos apenas 1.100 edifícios, o que torna a atividade muito viável, uma vez que espaços urbanos não utilizados também podem ser adaptados e utilizados. “Será muito caro colocar este projeto em funcionamento, mas seja qual for o custo, é válido, pois estamos falando de alimentos”, completa Despommier.