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As Centrais Estaduais de Abastecimento (Ceasas), empresas públicas ou de capital misto criadas nos anos 1970 para aprimorar a comercialização e a distribuição de produtos hortifrutigranjeiros,
ainda hoje são os principais canais de intermediação entre a produção no campo e os negócios nas cidades, especialmente nos grandes centros urbanos. Mas elas estão longe de serem
locais agradáveis. Em geral, ocupam grandes espaços e estão sempre lotadas de caminhões e carregadores. 

Para melhorar a logística das Ceasas, que movimentam por ano R$ 19 bilhões, de acordo com o Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) do Mapa, está em curso desde o final do ano passado o webCeasa. Uma iniciativa que visa a melhoria desse canal de escoamento. O grupo Ferbras, com sede na capital paulista, e que há 20 anos atua em agronegócio, consultoria, publicidade e tecnologia da informação, criou um portal na internet para conectar quem vende produtos nas Ceasas, aos seus clientes. “É uma ferramenta facilitadora”, diz Vinicius Ferraz, presidente do Ferbras. “O objetivo do portal é ajudar o comércio e desafogar o alto fluxo de veículos nas Ceasas.” 

O agricultor Valmir Teles dos Santos, 45 anos, de São Miguel Arcanjo, interior paulista, foi um dos primeiros a aderir ao portal. Santos é um dos maiores produtores de jabuticaba do País, com cerca de
70 toneladas cultivadas na última safra. Além disso, ele faz parceria com outros agricultores das cidades de Araçatuba, Junqueirópolis e Casa Branca, todas no interior paulista. “Com certeza, o portal
é um canal de venda que nos trará bons resultados”, afirma Santos. “Mas é preciso um pouco de paciência até todos os clientes se familiarizarem com a nova opção de compra online.”

Santos é um dos 210 produtores que começaram a utilizar o webCeasa para a venda de produtos, do total de 300 comerciantes permissionários de Ceasas do Sul e do Sudeste do Brasil. De acordo com
Ferraz, a expectativa é movimentar neste ano cerca de R$ 1,2 bilhão em transações online. “A aceitação e uso maciço da ferramenta pelos nossos clientes é uma questão de tempo”, afirma. “O
volume de negócios só tende a aumentar porque o portal não interfere nas transações comerciais, além de não ter nenhum custo ao produtor”.