Tecnologia

De olho na lagosta

Projeto de monitoramento do crustáceo no Ceará promete fornecer dados específicos sobre a espécie e ajudar no combate à pesca predatória

A alta tecnologia está prestes a atracar em areias cearenses. Isso porque um projeto do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação (Itic), em parceria com o CTI – Nordeste, deve investir cerca de R$ 3 milhões na construção de barcos automáticos para o monitoramento da lagosta. Considerado um dos principais produtos do Estado para a exportação, só no ano passado foram embarcadas 1.504 toneladas do crustáceo. Assim, as embarcações vão auxiliar na coleta de dados no litoral e no combate à pesca irregular na região. “Devemos construir dois protótipos num prazo de três anos”, explica o professor Carlos Artur Rocha, superintendente do Itic e um dos coordenadores da iniciativa. O projeto já está em fase de análise no Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e deve receber um parecer em algumas semanas. “Este projeto, muito bem elaborado, é uma iniciativa pioneira”, explica Elói de Souza Araújo, secretário de Monitoramento e Controle da Pesca do MPA.

Cada protótipo terá seis metros de comprimento por dois de largura e poderá ser operado a distância, por controle remoto. “Além disso, os computadores e radares transmitirão dados em tempo real para as bases”, explica Aristides Pavani Filho, coordenador do CTI-Nordeste. Com as informações será possível acompanhar os locais de maior incidência dos crustáceos e verificar onde há concentração de barcos, por exemplo. Hoje, das 3.100 embarcações pesqueiras cadastradas em todo o País, 1.812 estão espalhadas nos quase 600 quilômetros de costa no Ceará, o que representa cerca de 58,4% do total de barcos incluindo os a vela e os motorizados. A atividade é feita por pescadores artesanais e grandes barcos de indústrias. “Informações precisas geram economia de custos para quem faz pesquisa e fiscalização dessas áreas”, explica Rocha, do Itic. Jefferson Souza, presidente do Instituto Terramar, considera fundamental organizar a atividade no litoral e promover ações educativas. “Pesquisas são de suma importância, mas também é preciso aproximá- las das comunidades pesqueiras, para que todo mundo ganhe.”

Produto nobre:

um dos principais itens da exportação do agronegócio no Nordeste, a lagosta mereceu investimentos de R$ 3 milhões no projeto de monitoramento

 

 

Outro projeto que está em fase de análise, desta vez no Banco do Nordeste é o E-manzuá, em que um pequeno dispositivo eletrônico, com aproximadamente três centímetros é acoplado ao manzuá, espécie de gaiola artesanal jogada ao mar na qual as lagostas são capturadas. Depois, com os barcos já em terra, os dispositivos são recolhidos para a análise de dados, como a indicação da região em que o pescador jogou suas gaiolas. “Essas ferramentas vão facilitar a fiscalização e o combate à pesca predatória”, explica Araújo do MPA. Cláudio Ferreira, analista do Ibama, lembra que a pesca irregular tem sido um dos principais problemas da atividade. No caso da lagosta, a produção no Estado caiu de seis mil toneladas em 1997 para três mil em 2004. “2006 foi nosso pior ano, com 1.907 toneladas”, relembra. Com a queda no volume, diminuiu também o peso médio dos exemplares, que passaram dos 20,96 quilos, em 2007, para 11,63 quilos, em 2009. A intensificação da fiscalização e a realização de programas educativos para pescadores ajudaram a recuperar o volume pescado que no ano passado bateu as quatro mil toneladas. Por isso, Araújo acha que o maior ganho dos projetos está na aquisição de conhecimento, combinada com ações efetivas para regularizar a atividade. “Assim, ganham todos os envolvidos na cadeia de produção.”