Tecnologia

Nas ondas da pecuária

Nova tecnologia permite a rastreabilidade total do rebanho, do nascimento à carne vendida no açougue

BOIADA CONECTADA: etiquetas contêm todas as informações do rebanho

Há pouco menos de um ano, a pecuária brasileira sofreu um duro golpe. Acusada pela União Européia de não cumprir regras de sanidade preestabelecidas, como a rastreabilidade total do rebanho, acompanhada da devida documentação, a carne nacional se viu vetada nos portos europeus. Desde então, diversos sistemas de rastreabilidade foram lançados. Porém, falta ao País um sistema que contemple de forma simples todas as exigências dos compradores internacionais. De olho nesse “buraco”, a empresa de tecnologia Coss Consulting desenvolveu um novo sistema para brigar por este mercado.

O Welcoss-iMeat, de tecnologia 100% nacional, é capaz de registrar, em único chip, informações detalhadas como nome do criador, local em que o animal foi criado e abatido, data do abate, vacinas e cuidados veterinários a que foi submetido. Além disso, é capaz de trazer informações do DNA do animal e outros dados que podem ser inseridos no chip a qualquer momento. Tudo online, via internet. Em caso de venda do animal, o novo proprietário também pode ter acesso às informações e fazer atualizações via rede mundial de computadores. Basta possuir a senha de acesso.

O sistema ainda garante autenticidade de origem para os órgãos de fiscalização nacionais e internacionais. Vale também para o consumidor final, uma vez que toda a informação contida nos brincos inteligentes é replicada em etiquetas e embalada junto com os produtos.

Um processo mais simples e moderno que os códigos de barra utilizados pelos pecuaristas e frigoríficos atualmente.

“A principal vantagem do sistema é que podemos inserir e retirar informações a qualquer momento. É uma forma de gestão em tempo real”, explica Luis Carlo Colella, sócio- diretor da Coss Consulting. “Cada animal tem um brinco inteligente que recebe as informações por ondas de rádio e armazena tudo. Quando o animal vai para o frigorífico, as informações são copiadas para as etiquetas que acompanham as peças até o consumidor final”, continua.

Segundo Colella, a empresa investiu cerca de R$ 2,5 milhões no projeto em um período de 30 meses, mas deve recuperar este investimento em pouco tempo. “Esta tecnologia tem um potencial gigantesco e deve movimentar até US$ 30 bilhões nos próximos dez anos”, projeta o executivo.

O custo para a implementação varia de acordo com o rebanho e as tecnologias a serem implantadas, podendo ir de R$ 250 mil a R$ 5 milhões – preço estimado para um rebanho de mil cabeças. Um projeto completo envolve a instalação de antenas para envio e recebimento das informações, consultoria especializada, obras de infra-estrutura na fazenda, além do software desenvolvido pela Coss Consulting. Os brincos inteligentes, dotados de chips, são vendidos à parte, por US$ 5 cada um.

“Este produto é de extrema importância para o pecuarista moderno, porque ele ganha em todas as etapas da cadeia produtiva. Agora, os irlandeses não poderão mais reclamar da nossa carne”, completa Colella.