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A tecnologia a serviço do campo

Uma pesquisa recente sobre o uso da tecnologia no agronegócio apurou que um frango de corte produzido em 1930 comia cerca de 3,5 quilos de ração e era abatido em 105 dias, pesando em torno de 1,5 quilo. Atualmente, os frangos comem cerca de 1,78 quilo de ração e são abatidos em 40 dias, pesando cerca de 2,24 quilos.

Estes números comprovam o que todos já sabem: a biotecnologia teve um papel primordial na atual produtividade agropecuária. De fato, a biotecnologia teve, e continuará tendo, um papel importante na produção de alimento, mas é pouco provável que exemplos tão notáveis como este sejam vistos no futuro. Como em uma Olimpíada, recordes continuarão a ser quebrados, porém numa taxa muito menor.

Já na competição por mercados, as disputas do agronegócio nunca estiveram tão acirradas como nos dias atuais. Em campo, o aumento exponencial no preço dos insumos agrícolas e o protecionismo dos países desenvolvidos travam uma peleja desigual contra países produtores de commodities, como o Brasil. Apesar disso, o agronegócio tem sido responsável por manter nossa balança comercial positiva. Como isso é possível? E mais importante: como continuar produzindo de forma sustentável, lucrativa e competitiva no mercado internacional?

A resposta, muito provavelmente, também está na Tecnologia da Informação (TI). Segundo dados do setor de TI, o nível de informatização das empresas de agronegócios ainda é muito baixo, da ordem de 1% a 3% da receita líquida das organizações. Portanto, ainda existe um longo caminho.

Se por um lado os recordes do nosso “frango olímpico” estão cada vez mais difíceis de serem quebrados pela biotecnologia, por outro os ganhos de produtividade ainda têm muito fosfato para ser queimado nas geotecnologias, a tecnologia dos Sistemas de Informações Geográficas (GIS, do inglês Geographic Information Systems).

Ela é utilizada, por exemplo, na chamada “agricultura de precisão”. No Brasil as empresas de celulose, que têm grandes áreas plantadas com eucaliptos, são os maiores usuários GIS no agronegócio, em especial na otimização no processo de colheita e transporte da produção agrícola. No passado isso era feito de forma empírica e atualmente todo esse processo é roteirizado por meio de sistemas que calculam custos em função das distâncias reais percorridas e do tipo de estradas, sugerindo as melhores alternativas de rota. Com isso, o número de equipes e pessoas é dimensionado de forma planejada e realista e os custos chegam a cair até 30% ao longo desta operação. Em um mercado extremamente competitivo, isso faz muita diferença.

A tecnologia GIS também vem beneficiando a agricultura no cumprimento de legislações específicas. Há algum tempo os plantios eram feitos em todas as áreas das propriedades, e, freqüentemente, o proprietário era acionado pelos órgãos ambientais devido à ocupação de áreas indevidas. O GIS possibilita o mapeamento das áreas que não devem ser cultivadas, com economia de tempo, além de evitar multas ambientais.

Mas, apesar da clara tendência de ampliação da aplicação do GIS em toda a cadeia do agronegócio devido à necessidade premente de otimizar processos e conquistar melhores resultados para enfrentar a concorrência local e internacional, a velocidade com a qual vem ocorrendo ainda é baixa. As empresas de agronegócio têm nas geotecnologias uma grande oportunidade de melhorarem seu desempenho produtivo. E o que é melhor: sem o uso de esteróides!

“Os ganhos de produtividade passam pelo uso de novas tecnologias de produção”