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Gestores sem tempo ruim no campo

CANAVIAL: o mundo continuará demandando energia limpa

O agronegócio passa por um dos momentos mais dicotômicos das últimas décadas. Se por um lado temos a crescente demanda por bens de consumo e commodities, além de empresas implantando novas unidades industriais de processamento e transformação que, por sua vez, puxam investimentos em tecnologias, maquinário e mão-deobra especializada, por outro presenciamos certo pânico generalizado no mercado financeiro internacional gerado pelas recentes turbulências do cenário norte-americano.

Isso influencia, e muito, os planos de companhias do agribusiness, pois, mesmo com base em solo brasileiro e vendendo para o mercado interno, muitos produtos são precificados em dólar e sensíveis à gangorra da moeda estrangeira. Tudo isso faz com que, cada vez mais, as empresas busquem profissionais altamente qualificados em agronegócios e em finanças para as cadeiras mais executivas, o que aquece outro segmento da economia: o de contratação para o alto escalão.

Mas diferentemente do visto em grandes centros urbanos, o executivo do campo precisa se diferenciar, pois, além de entender de negócios, precisa estar sempre um passo à frente de outras oscilações que perturbam as empresas que dependem do campo. Por exemplo, o clima. Não só o meteorológico, mas também o econômico. Também devem possuir grande capacidade de se adaptar às comunidades onde atuam, interagindo com a população e entendendo suas necessidades e cultura.

O profissional ideal para atuar nessas companhias que viram no Brasil uma grande oportunidade de expansão de seus negócios precisa antever quais serão os impactos de uma temporada de chuva ou de seca; precisa saber o que uma erva daninha, uma doença vegetal, uma contaminação de solo e até mesmo o que a recente crise nos mercados internacionais podem ocasionar. São esses os fundamentos de uma agricultura de alta precisão. Mais produtividade por hectare a um custo menor.

Por falar em crise, é fundamental o profissional do campo acreditar e continuar investindo no País. Em primeiro lugar porque o mundo continuará consumindo produtos e energia alternativa e o Brasil possui uma posição competitiva privilegiada. Cabe aqui lembrar do etanol. A médio e longo prazos a procura voltará a se estabilizar e levará, a reboque, o preço dos produtos novamente para o seu devido patamar. O mais fundamental agora é olhar os custos de produção.

A crise no campo poderá ser menos azeda do que se pinta e acreditamos que ninguém melhor que os empresários do setor para passarem por ela sem sentir muito a terra chacoalhar. Você, executivo ou executiva, empresário ou empresária, agricultor ou agricultora, sabe melhor do que ninguém passar pelas turbulências do dia-a-dia, como a falta de crédito, geadas fora de época, chuvas torrenciais pouco antes da colheita e muitos outros fatores climáticos que afetam o seu negócio. A grande capacidade de resiliência e a coragem para a adversidade e o risco são uma vocação diferenciada do agricultor brasileiro.

Por fim, uma coisa é certa: quem apostar no agronegócio vai se dar bem, desde que no comando da empresa esteja um profissional capaz de observar bem os sinais da economia e da própria natureza e se preparar adequadamente para ela, seja pelo risco, seja pelo acesso rápido ao crédito e o uso das novas tecnologias: desde sementes melhoradas e transgênicas até de ferramentas que promovem a alta produtividade.

Deixo aqui um alerta: o campo não é local para experiências administrativas. A natureza do negócio exige do profissional o preparo para lidar com crises constantes. Os executivos precisam se cercar do máximo de informações e de um time capaz para minimizar possíveis impactos que por ventura surjam, faça chuva ou faça sol.

“O executivo rural tem de enxergar muito além do negócio, do clima e do campo”

JEFREY ABRAAMS, head hunter, especializado em contratações para empresas agropecuárias