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Os antibióticos na produção animal

Os antibióticos na produção animal

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O s Estados Unidos sempre foram grandes defensores do uso de antibióticos na produção animal, embora seus trabalhos científicos apontassem a existência de pequenos riscos para a saúde humana, em detrimento do benefício que traziam em termos de eficiência produtiva. Isso começou a mudar há pouco tempo, em razão do crescente número de achados de bactérias, como a salmonela, resistentes a vários tipos de antibióticos.  Essas constatações, cada vez mais frequentes, vêm dando ensejo a intensivas campanhas populares pelo maior controle no uso de antibióticos. Até mesmo o presidente Barack Obama se envolveu nessa discussão, propondo programas em âmbito nacional, com o objetivo de reduzir significativamente o uso de antibióticos na produção animal de seu país. As discussões sobre o uso extensivo de antibióticos em animais destinados à alimentação humana estendem-se à produção de alimentos, em geral, visto que os efeitos  negativos em relação à saúde da população e ao meio ambiente tornam-se cada vez mais perceptíveis. Além disso, o uso de agroquímicos e a ausência de bem-estar nos sistemas intensivos de produção agregam mais elementos a essa discussão.

Os antibióticos, que no rescaldo da Segunda Guerra Mundial foram introduzidos nas rações dos animais, aceleraram enormemente as taxas de produtividade, tornando-se um instrumento imprescindível para a evolução da produção intensiva, particularmente nos últimos 40 anos.  No mundo inteiro, uma grande quantidade de suínos e aves de corte e de postura, assim como as vacas de leite e o gado de corte em sistemas confinados, recebe antibióticos em sua alimentação. Estima-se que o uso de antibióticos em animais chega a ser até 12 vezes superior ao registrado em humanos. A exceção ocorre na produção orgânica e em produções diferenciadas, devidamente informadas. Os defensores dos antibióticos partem do pressuposto de que seu uso é necessário, para suprir a população mundial. Defendem, ainda, que as análises realizadas para sua liberação garantem a segurança na alimentação humana.

Há, de fato, modelos analíticos complexos feitos em animais cobaias para se determinar a chamada ingestão diária aceitável (IDA) de tais substâncias para seres humanos. O problema é que esses protocolos analíticos adotados pelo Codex Alimentarius, códigos de conduta e recomendações internacionalmente reconhecidos para a produção e comércio de alimentos, quando realizados, são capazes de medir o nível de toxicidade em cobaias de forma individualizada. Ou seja, apenas uma substância é submetida a testes de cada vez. Assim, não se conhece exatamente qual seria a toxicidade de uma ingestão variada e complexa de tipos de antibióticos, antiparasitários, conservantes e aditivos, entre outros, ingeridos pelos humanos através da alimentação. É com base nesses fatos que muitos países europeus, e também os Estados Unidos, têm aplicado o princípio da precaução, ou seja, aplicam-se proibições comerciais, mesmo sem todas as comprovações científicas sobre os efeitos do uso de antibióticos.

No Brasil, experiências pioneiras realizadas desde a década de 1990 na produção de frangos livres de antibióticos, por exemplo, mostram melhorias a cada ano. Os índices de produtividade, que no início eram significativamente inferiores aos observados em frangos criados segundo os sistemas convencionais, atualmente mostram-se em muitos casos, iguais. O acúmulo de experiências tem levado às soluções inovadoras, uma vez que as estratégias nutricionais se apoiam cada vez mais no uso de insumos naturais, como microrganismos e óleos essenciais de plantas na alimentação animal.


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Por isso, nos dias atuais, mais do que nunca é necessário que as empresas tomem posição nas questões éticas e humanitárias que envolve o uso de antibióticos e o bem-estar dos animais. É de se esperar que as crescentes restrições ao uso abusivo de antibióticos direcionarão a produção num sentido mais favorável aos anseios desse crescente número de consumidores, beneficiando, dessa forma, a qualidade e a segurança alimentar de toda a sociedade.