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Valorização e democratização

LEILÃO DE GADO: raça nelore responde por 77% da receita

A pecuária brasileira nos revela ano a ano números e fatos surpreendentes, apesar da interminável fragilidade sanitária e dos ataques comerciais e políticos enfrentados pelo país. No meio desse turbilhão, a raça nelore sustenta a base genética que supera 80% do rebanho nacional, entre animais puros e cruzados, e garante a posição de maior fornecedor brasileiro para a produção de carne devido às características morfológicas da raça mais adaptada para os trópicos. Um indicativo que mostra quanto essa predileção interfere na agitada cadeia produtiva são os pregões realizados em todo o território nacional.

Segundo levantamento da revista especializada DBO, de 1997 a 2006, o número de eventos (com zebuínos, taurinos e compostos) realizados por ano saltou de 329 para 965 – ou seja, praticamente triplicou. Do total de remates realizados em 2006, a raça nelore representou quase 75%. As raças zebuínas somaram R$ 408 milhões (total de R$ 452 milhões) em negócios fechados em 2006, sendo que o nelore respondeu por cerca de 77% da receita desses leilões.

A valorização de marcas e a constatação de animais selecionadores que permitem melhor desempenho produtivo a campo são dois bons exemplos do resultado da democratização genética promovida também pelos pregões.

A cada novo leilão de melhoradores genéticos comprovamos que, atualmente, a genética é o principal trunfo dos produtores neloristas. A busca por animais altamente selecionados, para atender a um mercado cada vez mais exigente, obriga que os pecuaristas tenham absoluta consciência da importância dos investimentos em melhoramento genético e tecnológico.

“A cada leilão comprovamos que a genética é o principal trunfo dos produtores”

Apesar de o preço da arroba continuar aquém das contrapartidas realizadas pelo pecuarista e de o único setor da pecuária que está comemorando bons negócios ser aquele que visa à exportação – que aliás cresceu 31% no primeiro semestre de 2007 –, este ano podemos dizer que o mercado de leilões se destacou, inclusive com recorde de vendas. O leilão Mata Velha 2007, por exemplo, é um marco histórico: bateu o recorde de faturamento com R$ 17,8 milhões e de lote individual com R$ 2,9 milhões pagos pela fêmea Nalisha II FIV MPSI, de 15 meses de idade.

É fato que o gado brasileiro não deve em nenhum ponto para as produções do restante do planeta. Se somos referência entre os criadores mundiais e se asseguramos boa rentabilidade em leilões, é devido ao aumento dos investimentos e da propagação de programas como o PMGRN (Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore), que teve um aumento de 12,9% de animais catalogados em 2006, comparado a 2005. Além do benefício direto obtido pelo criador com o uso de ferramentas de melhoramento genético, como a venda mais valorizada de matrizes e reprodutores, toda a cadeia produtiva da carne é beneficiada pela melhoria do padrão produtivo dos rebanhos comerciais.

Essa revolução que a genética tem causado na pecuária brasileira, com reflexos financeiros positivos, fez com que o número de pessoas que investem no setor aumentasse consideravelmente. E o nelore tem sido o alvo desses investidores, pois vem permitindo um retorno mais rápido e extremamente favorável.

O foco nos animais melhoradores, que ganham peso rápido, possuem uma boa carcaça e permitem uma precocidade reprodutiva, significa maior retorno do capital investido no setor.

ALICE SAMPAIO FERREIRA, pecuarista e presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil