Entrevista

Dez Perguntas Rodrigues Roberto

Dez Perguntas Rodrigues Roberto

”Seremos a nação responsável pelo fim da fome no mundo”

Fábio Moitinho
Edição 31/08/2014 - nº 117

O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, atualmente coordenador do Centro de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas em São Paulo, e embaixador especial da FAO para as Cooperativas, tem uma posição firme sobre a estabilização da moeda brasileira  e a sua influência sobre o agronegócio. Para ele, as 20 safras agrícolas pós-Plano Real deixam um legado de aprendizado, mas também de desafios.

O Plano Real foi a grande sacada no jogo econômico das últimas décadas?
Sem dúvida que sim. Domar a inflação foi de vital importância. Mas o Plano Real também ganhou importância com os programas sociais desde o governo FHC, ampliados no governo Lula e continuados no governo Dilma Rousseff.

Em que medida o campo se beneficiou dessa nova realidade?
A estabilização da moeda obrigou os produtores a buscarem tecnologia e gestão para competir. Com isso, a produtividade agrícola cresceu.

Em quais setores do agronegócio houve maior aporte de investimentos?
Houve um grande movimento na aquisição de máquinas e equipamentos modernos, que ajudaram a melhorar o desempenho tecnológico.

Qual é a melhor definição sobre o uso de tecnologias no campo?
Em geral, houve muito investimento em tecnologia. Mas um dado que define bem o seu uso é que a área plantada com grãos cresceu 41% e a produção saltou 220%. Essa revolução é incontestável no Centro-Oeste.

O aumento das exportações foi uma consequência direta do Plano Real?
O saldo comercial do País tem sido sustentado pelo agronegócio há muitos anos. Em 2013, foi de US$ 83 bilhões, enquanto o saldo total nem chegou a US$ 3 bilhões. Parte disso está ligada, indiretamente, à estabilização da moeda e ao crescimento de mercados nos países emergentes.

Qual é o caminho para aumentar ainda mais as exportações do agronegócio?
É preciso uma ampla estratégia, capaz de gerar investimentos em logística e infraestrutura, uma nova política de renda no campo, mais investimentos em tecnologia, desburocratização e agilidade nos registros de novas moléculas de defensivos e regras comerciais mais claras.

O Plano Real influenciou, de fato, o consumo de alimentos no País?
Sim, porque aumentou a confiança dos produtores. Isso fez o PIB do setor, ou seja, as riquezas do campo, responderem por 23% do PIB nacional.

A economia, como um todo, pode tirar alguma lição da evolução do campo?
O campo fez um gigantesco ajuste, maior do que em outros setores. Quem não se ajustou, perdeu a vez. Os que ficaram, foram levados a implementar conceitos de cadeia produtiva ou se organizar em cooperativas, principalmente os pequenos  produtores.

Como o sr. avalia o Plano Real perante as crises econômicas mundiais, como as de 1998 ou 2009, por exemplo?
Todas as crises impactaram negativamente o agronegócio, mas um pouco menos do que a indústria. Foram os ajustes feitos após o Plano Real que permitiram ao País suportá-las.

O que se pode esperar do agronegócio brasileiro nos próximos 20 anos?
Estudos da FAO sinalizam que até 2020 a produção de alimentos precisa crescer 20%. Está claro que o mundo só terá essa oferta maior, caso o Brasil cresça o dobro, ou seja, 40%. Portanto, há uma demanda sobre nós. Se conseguirmos montar uma estratégia adequada, nas próximas duas décadas seremos a grande nação responsável pelo fim da fome no mundo.

 

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