Edição nº 172 03.09 Ver ediçõs anteriores

Entrevista

Entrevista

Entrevista

Por Guilherme Queiroz
Edição 01/12/2010 - nº 74

Um dos principais líderes ruralistas e reeleito pela sexta vez, Abelardo Lupion (DEM-PR) fala a DINHEIRO RURAL sobre a nova bancada do agronegócio e os desafios em defesa do setor

 

Presidente da Comissão da Agricultura da Câmara dos Deputados entre 2006 e 2010, o deputado Abelardo Lupion acredita que o setor ganhou em representatividade nas últimas eleições. E diz que os parlamentares estarão prontos para barrar qualquer iniciativa do governo que seja prejudicial aos interesses do agronegócio, como, por exemplo, a revisão dos índices de produtividade para reforma agrária. “Aceitamos critérios, não ideológicos”, diz ele. Leia a seguir a entrevista.

“A reforma agrária foi um fiasco”

DINHEIRO RURAL – Como o grupo deve se organizar com a perda de quadros atuantes do ruralismo?

ABELARDO LUPION – Perdemos companheiros importantes como o Valdir Colatto, o Zonta e o Silas Brasileiro. Mas estamos recebendo gente nova, que já manifestou interesse em integrar a Frente Parlamentar, além de gente com tradição, como Irajá Abreu e Onofre Agostini. Eles vão nos ajudar muito na base rural.

DINHEIRO RURAL – Como a bancada pretende se articular nas votações de interesse do setor?

LUPION – Quando fazemos uma triagem na bancada, temos os coordenadores, que são de 15 a 20, divididos por partidos e Estados. Na hora de votar, dependendo da tese, conseguimos unanimidade. Em outros casos, lutamos com muita dificuldade. Se for uma tese contra o governo, aí temos o peso dos partidos contra a gente. Nunca perdemos uma votação.

DINHEIRO RURAL – Como foi a articulação de candidatos e entidades ruralistas durante a eleição?

LUPION – O nosso setor está cada vez mais se conscientizando que produtor rural tem de votar em produtor rural. Nossas entidades sabem que precisam apoiar a bancada do agronegócio. Acho que nunca estivemos tão fortalecidos como nesta eleição. O setor acordou e ajudou muitos deputados.

DINHEIRO RURAL – Em relação a eleições anteriores, em que termos a atuação do setor foi diferente?

LUPION – Os sindicatos, as cooperativas, as sociedades rurais e algumas entidades – como a ABCZ e a Abag – se mobilizaram. Conseguimos o apoio de 33 delas. Nunca estivemos tão aquinhoados com apoios e também tão cobrados. Dentro de nossas posições.

 

Um dos principais líderes ruralistas e reeleito pela sexta vez, Abelardo Lupion (DEM-PR) fala a DINHEIRO RURAL sobre a nova bancada do agronegócio e os desafios em defesa do setor

DINHEIRO RURAL – Quais as principais demandas postas pelas entidades que apoiaram a eleição dos deputados?

LUPION – Normalmente, trabalhamos com muita emergência. Temos um problema sério de crédito, endividamento, etc. Toda vez que o governo não faz política agrícola, quem se endivida são as cooperativas e os produtores rurais. Há também os assuntos macro, como o Código Florestal e as questões trabalhistas. Tem muita lei sendo criada sem conhecimento de causa.

DINHEIRO RURAL – O Código Florestal será aprovado ainda este ano?

LUPION – Acredito que sim. O texto foi costurado dentro do governo, em contato direto com a Embrapa. Já conversei com os senadores sobre a importância de aprovarmos ainda este ano. Por exemplo, só o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) aprovou 16 mil resoluções para a legislação ambiental. Não há como cumprir isso. Estamos também com um problema muito sério de carga tributária. Hoje pagamos 40% de carga. Precisamos diminuir a carga do setor. Ficamos com muitas dificuldades para sermos competitivos, especialmente em comparação com outros países. Sem contar a questão cambial.

“Se o governo quiser baixar o preço da comida e estimular o exportador, é preciso caminhar para uma isenção tributária”

DINHEIRO RURAL – Como resolver isso via Congresso?

LUPION – Se o governo quiser baixar o preço da comida e estimular o exportador, é preciso caminhar para uma isenção tributária. Precisamos desonerar o nosso setor. Mas o governo carrega uma dívida pública de R$ 2 trilhões e tem dificuldades para fazer a rolagem. E os impostos são quase 40% do PIB. O governo é completamente ausente e não tem dinheiro para fazer política agrícola.

DINHEIRO RURAL – Dê um exemplo.

LUPION – Já aprovamos toda a legislação no Congresso para o seguro-agrícola, inclusive para o resseguro. Tiramos a hegemonia do IRB (Instituto Brasileiro de Resseguros). Hoje existe a possibilidade de fazermos o seguro porque a agricultura é a única indústria a céu aberto, mas ainda está incipiente. Vamos tentar colocar recursos a mais no Orçamento de 2011 para atendermos melhor o produtor.

DINHEIRO RURAL – Que outras ações importantes para o setor devem receber mais aportes no Orçamento?

LUPION – Vamos propor mais recursos para comercialização, defesa sanitária e pesquisa. A defesa porque, sem ela, não vamos exportar para lugar nenhum. O grande padrinho da Embrapa, que tem prestado um grande serviço ao País, é a bancada. E, sem a comercialização, não há política agrícola.

 

Um dos principais líderes ruralistas e reeleito pela sexta vez, Abelardo Lupion (DEM-PR) fala a DINHEIRO RURAL sobre a nova bancada do agronegócio e os desafios em defesa do setor

DINHEIRO RURAL – Essa pauta será reforçada com a equipe de transição da presidente Dilma Rousseff?

LUPION – Apresentamos as propostas aos candidatos e teve uma carta de intenção que, inclusive, eles assinaram. Esperamos que Dilma cumpra. Nós vimos o setor votar muito dividido nessa eleição. A maioria dos partidos está na base de Dilma e a maioria dos nossos deputados também. Os partidos de oposição devem ter, no máximo, 15% da bancada rural. Esses deputados vão jogar muito pesado para que a pauta do setor aconteça.

DINHEIRO RURAL – Por serem da base do governo, esses ruralistas não ficariam mais suscetíveis ao rolo compressor do governo?

LUPION – Não. Inclusive porque muitos fazem parte da coordenação da bancada. Não decidimos nada sozinhos. Com exceção do PV, do PT e do PSOL, todos os outros partidos têm deputados na coordenação. Inclusive no PT temos parlamentares alinhados conosco. O problema do PV é que, para eles, o meio ambiente é uma questão ideológica. Se eles perdem essa bandeira, não se elegem a mais nada. Para nós, é uma questão de bomsenso, científica.

DINHEIRO RURAL – As entidades cobram a indicação de alguém do setor para o Ministério da Agricultura?

LUPION – Os partidos da base vão reivindicar a prerrogativa de indicar alguém do setor. Quem cuidou do setor foi a bancada. Os recursos fomos nós que colocamos, nós que demos sustentação aos ministros. Esperamos que o novo ministro seja sensível e participe das discussões conosco.

DINHEIRO RURAL – Dilma Rousseff disse que vai fazer a revisão dos índices de produtividade, com base em critérios técnicos. Como o setor reagiu à afirmação?

LUPION – Nas tentativas do governo Lula prevaleceu o critério ideológico. Aceitamos qualquer critério técnico para discutir qualquer assunto técnico. Não aceitamos que bandeiras ideológicas tomem conta da discussão. O Brasil desapropriou mais do que temos de área plantada e a reforma agrária foi um fiasco. Ela é totalmente dependente do setor público. O governo precisa acordar para o fato de que a reforma precisa ser feita de forma técnica. Há cinco milhões de hectares desapropriados e não existe cliente para isso.

DINHEIRO RURAL – Muitos Estados estão com problemas para assentar famílias. A bancada pretende acentuar a fiscalização do Incra?

LUPION – Todos os presidentes do Incra no governo Lula foram comprometidos ideologicamente com o MST. O que o Incra tem de terras é mais do que precisa para a reforma agrária. Precisamos cuidar dos que já foram assentados para que tenham uma atividade lucrativa. Hoje, o Incra está criando favelas no campo.

DINHEIRO RURAL – O 3º Plano Nacional de Direitos Humanos impõe audiências públicas antes da reintegração de posse em caso de invasões…

LUPION – Temos leis e Constituição que garantem o direito de propriedade. É um assunto tão grave que a China, quando mexeu na sua Constituição, garantiu o direito de propriedade e virou a potência que é hoje. Ninguém fica no campo para trabalhar de empregado. Vamos levar esse assunto muito a sério.

 

OIE notifica 507 novos focos da peste suína, para total de 9.491 surtos no mundo

Área atingida

Área atingida

OIE notifica 507 novos focos da peste suína, para total de 9.491 surtos no mundo

ANTT terá economia de R$ 590 milhões com desburocratização

Simplificando processos

Simplificando processos

ANTT terá economia de R$ 590 milhões com desburocratização


4º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio tem foco em gestão

Movimento no campo

4º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio tem foco em gestão

O movimento feminista do agro é por poder

A nova onda

O movimento feminista do agro é por poder

Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio mostra o caminho que elas estão traçando


Cultivo do trigo beneficia sistemas de produção agrícola do Brasil Central

Embrapa

Cultivo do trigo beneficia sistemas de produção agrícola do Brasil Central


Saúde Animal

Mapa

Ministério fiscalizará rastreabilidade de vegetais em 7 centrais de abastecimento

Opinião

Para Salles, postura de Bolsonaro tem de ser aplaudida na questão da Amazônia

Congresso Latino-americano de Avicultura mostra o potencial do setor

Futuro em pauta

Futuro em pauta

Congresso Latino-americano de Avicultura mostra o potencial do setor

Evento que acontece em Lima, no Peru, reúne 600 empresas e um público de 5 mil pessoas por dia

GenesisGroup e AgroSafety associam-se para fortalecer a segurança agroalimentar na cadeia produtiva

Fusão

Fusão

GenesisGroup e AgroSafety associam-se para fortalecer a segurança agroalimentar na cadeia produtiva

Glifosato

Bayer pede anulação de veredicto que concede indenização de US$ 2 bi


Agroindústria


Agroindústria

Debêntures incentivadas em biocombustível somam R$ 4,1 bi em investimentos

Campo produtivo

Campo produtivo

Debêntures incentivadas em biocombustível somam R$ 4,1 bi em investimentos


Dispositivo eletrônico não invasivo avalia conforto térmico de bovinos

Bem-estar animal

Dispositivo eletrônico não invasivo avalia conforto térmico de bovinos

Mapa abre consulta pública sobre boas práticas agropecuárias para concessão

Selo Arte

Mapa abre consulta pública sobre boas práticas agropecuárias para concessão


Só na DINHEIRO RURAL


Só na DINHEIRO RURAL

ostreicultura

Interditado o cultivo de ostras e mexilhões na Ponta do Papagaio, em Palhoça

O que esperar da nova geração de produtores do agro?

Fabio Matuoka Mizumoto, Eugênio Spers e Ricardo Nicodemos

Fabio Matuoka Mizumoto, Eugênio Spers e Ricardo Nicodemos

O que esperar da nova geração de produtores do agro?

A agenda do clima

João Guilherme Ometto

A agenda do clima

“Não será tão simples descumprir o que acordamos com o nosso planeta”

X

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.