Entrevista

José Galló

José Galló

O presidente da Lojas Renner nunca plantou nem colheu nada no campo.


Edição 01/04/2010 - nº 66

Dinheiro Rural – Desde quando o sr. atua no conselho da SLC?

– Desde que a empresa estudava a abertura de capital eu já era consultado. A partir da venda das ações na bolsa em 2007, passei a integrar o conselho como consultor independente.

Rural – E qual é exatamente a atribuição do sr. no conselho?

Galló – Participo das decisões estratégicas, opinando do ponto de vista do mercado. Coloco sempre a visão de como o mercado pode receber tais operações ou investimento.

Rural – O sr. já tinha atuado na agricultura?

Galló – Não. Mas é um setor como qualquer outro, em que é preciso gerar ganhos, ter responsabilidade fiscal e transparências nas operações.

Rural – Esses são os pontos em que o sr. contribui?

Galló – Com certeza. A Renner tem uma longa história no mercado acionário, sendo uma das empresas mais pulverizadas do País. Conheço bem como operar nessa área e essa visão mais profissionalizada é impo r tant e para que a empresa seja bem-sucedida, esteja ela atuando no ramo que for.

O agronegócio é muito competitivo e ao mesmo tempo uma atividade de riscos grandes. Para ter bons resultados é preciso uma administração eficiente. O conselho pode ajudar muito nesse sentido, desde que não seja apenas jogo de cena.

Rural – O que o sr. chama de “jogo de cena”?

Galló – Ao se formar um conselho é preciso formalizá-lo e estar pronto para aceitar e respeitar suas decisões. É importante buscar bons nomes e ter visões diferenciadas.

Rural – Nesse ponto é importante ter pessoas que não são exatamente da área…

Galló – Exatamente. Ter profissionais diferenciados traz uma visão mais global de mercado, o que contribui para o negócio como um todo. Não é porque alguém nunca plantou soja que não pode ser importante para o mercado. O plantio é apenas uma etapa.

Rural – E as empresas agrícolas estão enxergando isso?

Galló – Sem dúvida. Cada vez mais vemos as agroindústrias bem estruturadas administrativamente. Os grandes produtores já funcionam como empresas rurais e isso deve ser uma tendência.

Rural – O sr. acredita que esse conceito de conselho de administração também pode ser aplicado nas pequenas e médias propriedades?

Galló – É mais difícil porque a formação de um conselho requer uma certa formalização que as fazendas, em sua maior parte, não estão acostumadas. Mas é, sim, algo que pode contribuir para o negócio. Não deixar as decisões apenas com os membros da família, que às vezes possuem uma visão apaixonada do negócio, pode ser muito vantajoso e até mesmo estratégico.

Rural – O custo para formar um conselho é alto?

Galló – A dificuldade está mais na questão burocrática. Os trâmites legais não necessitam de grandes investimentos. O gasto está eventualmente no salário do membro independente do conselho, que é sempre um profissional mais experimentado do mercado.

Rural – Mas é um investimento que vale a pena…

Galló – Com certeza. Ao profissionalizar e estruturar a gestão, você consegue ganhos operacionais, redução de custos, melhora nas tomadas de decisões. Sem falar que passa a enxergar novas possibilidades de mercado.

“Não é porque nunca plantei soja que não posso contribuir com o campo. O plantio é apenas uma etapa desse imenso mercado”

 

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