Edição nº 169 15.05 Ver ediçõs anteriores

Entrevista

A produção agro pecuária faz parte do me u DNA

A produção agro pecuária faz parte do me u DNA

Entrevista Fábio Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo

Romualdo Venâncio
Edição 10/04/2015 - nº 124

Fábio Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), está também à frente da presidência da 22ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, a Agrishow, que acontece entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP). Ainda que o panorama econômico do País sugira um pouco mais de cautela, o dirigente está otimista. Para Meirelles, é exatamente em momentos difíceis que se faz necessário conhecer novas ferramentas, máquinas, insumos ou sistemas que auxiliem no aumento da produtividade, “tudo o que estará disponível na feira.”

Como o senhor encara a responsabilidade de presidir a Agrishow?
Sem dúvida é uma grande responsabilidade, mas faz parte de um processo natural, já que desde muito cedo são parte da minha vida as lides do campo e a compreensão das dificuldades e dos entraves para o exercício diuturno das atividades agrossilvopastoris, assim como as esperanças e os anseios do homem do campo. Sendo um dos fundadores da Agrishow, tanto o planejamento quanto o aprimoramento e as conquistas desta que é uma das maiores feiras agrícolas do mundo estão inseridos na minha realidade de produtor rural e dirigente classista há mais de 20 anos.

O que o senhor considera ser a maior contribuição da Faesp para a feira?
Propiciar o acesso para pequenos e médios produtores e agricultores familiares que, por conta própria, teriam dificuldades para participar. Nossas caravanas rurais, de várias regiões do Estado, têm assegurado, a cada ano, a presença média de mais de 15 mil produtores rurais na exposição. Nesta edição, o Sistema Faesp-Senar/SP mais uma vez marcará presença com um estande especial e vai assegurar a visita desse volume de visitantes além dos participantes do programa Jovem Aprendiz Rural.

E de que maneira a feira beneficia o trabalho da entidade?
É um momento importante para a troca de experiências e a aferição de novas tendências do agronegócio e das mais modernas tecnologias que otimizam e fortalecem a produtividade, assim como uma possibilidade de ver de perto os lançamentos em máquinas, tratores, implementos e grandes inovações do setor. A Agrishow é ainda um espaço de divulgação das atividades agrícolas e das políticas governamentais direcionadas ao setor, às agroindústrias, permitindo o aprimoramento das lides do campo. Também são muito importantes as palestras, as reuniões com participantes de vários países, além do contato com destacadas personalidades empresariais do mundo de negócios.

Quais as expectativas para esta edição da Agrishow?
Esta é a maior e mais completa feira de tecnologia agrícola da América Latina, oferecendo tudo o que o produtor rural necessita ao seu negócio. Nos últimos anos, a feira se consolidou como principal vitrine de lançamentos e palco de tendências e tecnologias do agronegócio, responsáveis pelo expressivo aumento de produtividade alcançado pelo campo. Dessa forma, independentemente de fatores econômicos, políticos e conjunturais, manteremos o grande fluxo de visitantes dos anos anteriores, assim como já temos confirmada a presença de expositores das mais importantes empresas que atuam nos mais diferentes segmento do agronegócio.

Há algum temor de que o desaquecimento econômico do País afete os negócios desta edição?
Todos os indicadores econômicos sustentam que, apesar da desaceleração geral ocorrida na economia, o agronegócio seguirá como o principal protagonista de sustentação para o crescimento do País. E há dois destaques nessa contribuição: o fornecimento de alimentos a preços competitivos, o que colabora para atenuar os efeitos de uma inflação em aceleração, e a garantia de exportações consideráveis, contribuindo para que o declínio na balança comercial não seja tão profundo. Em razão desses fatores, entendemos que os efeitos sobre os negócios da Agrishow 2015 serão menores, até pelo fato de que é exatamente em momentos difíceis que se faz necessário conhecer novas ferramentas, máquinas, insumos ou sistemas que auxiliem no aumento da produtividade, com baixo custo, economia e sustentabilidade, tudo o que estará disponível na feira.

Qual é o principal desafio da produção agropecuária paulista neste momento?
A agropecuária é uma atividade altamente suscetível a riscos inerentes à produção, como os climáticos e de variações de preços – dos insumos ao produto final –, que podem acarretar prejuízos e desestimulam o produtor a continuar na atividade. A seca prolongada que assolou o Estado de São Paulo reduziu o faturamento, as margens de lucro e gerou a incapacidade de pagamento dos custeios agrícolas. Diante disso, com eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, garantir e manter a renda do produtor, assegurando a estabilidade de toda a cadeia produtiva, continua sendo o principal desafio que enfrentamos no campo. Mas não o único.

Que outros desafios são tão emergenciais?
No curtíssimo prazo, ainda em decorrência da seca, temos a restrição do uso da água para a irrigação. Tal situação tem demandado intenso esforço da Faesp para conscientização do nosso sistema sindical, visando a racionalização da irrigação e melhoria das práticas para conservação do uso do solo. Se tivéssemos contado nos anos recentes com um projeto de Estado, não de governo, com planejamento mínimo e investimentos necessários, poderíamos estar produzindo e exportando mais e por menor custo, gerando empregos e renda para contribuir ainda mais com o desenvolvimento do Brasil. Motivo pelo qual a Faesp tem defendido a execução de quatro ou cinco anos de programas setoriais permanentes, lastreada na elevação da produtividade, no ganho de eficiência, na segurança alimentar e na estabilização da renda no campo.

 

NA ROTA DAS INOVAÇÕES – A próxima etapa é a Agrishow,em Ribeirão Preto (SP)

Com mais exigências por produtividade, redução de custos e preservação de recursos naturais, aumenta também a demanda do agronegócio brasileiro por tecnologias inovadoras, gestão profissional e capacitação. Facilita se as soluções estiverem em um mesmo lugar. Certamente, foi essa possibilidade que atraiu cerca de 160 mil visitantes de 71 países à edição de 2014 da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação, a Agrishow, realizada em Ribeirão Preto (SP).

A exposição reuniu 800 marcas relacionadas à produção agropecuária, recebeu 37 novas empresas estrangeiras e faturou R$ 2,7 bilhões, segundo a organização. Se depender da relevância do agronegócio para a economia brasileira e do otimismo dos promotores, os números serão maiores este ano, entre os dias 27 de abril e 1º de maio. Mas há que se levar em conta os desafios do setor, que não são poucos.

A DINHEIRO RURAL – que publicará um suplemento especial voltado para o público da Agrishow – foi a campo saber o que acontece nos principais segmentos da agropecuária paulista. As conversas com representantes do setor mostram haver muito mais oportunidades do que se imagina e o principal insumo para aproveitá-las é a informação. É para ajudar o produtor rural no “manejo de ideias” que a série Grandes Feiras do Agronegócio traz a opinião de lideranças do setor como Fábio Meirelles, presidente da Agrishow e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp). Acompanhe nessa entrevista exclusiva.

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