Edição nº 172 03.09 Ver ediçõs anteriores

Entrevista

Quero um PAC da agricultura

Quero um PAC da agricultura

Mendes Ribeiro, ministro da Agricultura, propõe nova política agrícola

Denize Bacoccina e Guilherme Queiroz
Edição 01/01/2012 - nº 87

 

Mendes Ribeiro, ministro da Agricultura

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, quer uma nova política agrícola para o País, que melhore o sistema de transporte da produção e mude as regras do preço mínimo. Ele vai propor à presidenta Dilma Rousseff um PAC da Agricultura, um programa reunindo todas as iniciativas do governo. Em entrevista à DINHEIRO RURAL, o ministro diz ainda que é preciso desburocratizar o acesso aos recursos de financiamento da safra para que o dinheiro chegue mais facilmente ao produtor.

O governo está trabalhando numa nova política agrícola?

Temos discutido muito com o setor. Nós precisamos garantir a renda do produtor, mas são necessários instrumentos que balizem isso, para termos uma política de preço mínimo e um menor custo de produção. Vamos fazer uma avaliação de como o governo está agindo em sua política agrícola e buscar mais eficiência nos processos. É preciso, por exemplo, mais eficiência na área do transporte. O País perde 20% do que produz.

A nova política agrícola será apresentada como um grande plano de governo ou as mudanças serão feitas aos poucos?

Eu gostaria que a gente tivesse um grande PAC da Agricultura. Ainda não conversei com a presidenta Dilma, mas acredito que ela tem a mesma visão. Já estamos fazendo bastante na área de Agricultura de Baixo Carbono, na integração entre pecuária, lavoura e floresta, e na implantação de um novo Código Florestal. São várias as iniciativas na agricultura que poderíamos unir, como no modelo do PAC que agrupa a máquina do ministério, as ações da Conab, o trabalho conjunto com outros ministérios da área social e da área econômica. O PAC da Agricultura pode se tornar também uma grande parceria entre os setores público e privado.

O ritmo de desembolso do atual Plano Safra está lento. É uma questão de falta de procura ou de excesso de burocracia?

Dos R$ 107 bilhões disponíveis para a safra 2011/2012, não liberamos nem a metade até o final de 2011. Esse dinheiro precisaria chegar mais rapidamente ao produtor. O acesso ao crédito deve ser simplificado, a burocracia reduzida, mudando as regras de garantias. Estamos trabalhando nisso e já existe um esboço de projeto no Ministério da Justiça que trata desse assunto.

Qual é o impacto do novo Código Florestal para a agricultura brasileira?

É muito bom. O novo Código não é fundamentalista, é de consenso, é um código articulado. Ele termina com o conflito no setor e possibilita que as coisas passem a andar. O Código veio como uma porção de razoabilidade no segmento mais produtivo da economia brasileira.

O Brasil tem enfrentado muitos obstáculos para entrar nos mercados internacionais?

Cada vez mais vamos nos impor ao mundo. Disse aos nossos adidos agrícolas que a colocação do produto brasileiro no mercado externo é fundamental. Existe a questão da competitividade lá fora e ela vem de todos os lados. Por isso, estamos aperfeiçoando o serviço de defesa fitossanitária do País. Na sanidade animal, por exemplo, a intenção é que os serviços de defesa sejam cada vez mais regionalizados, como uma forma de proteção.

Há preocupação com os investimentos do agronegócio brasileiro na Argentina?

Preciso me preocupar com o Mercosul, como isso afeta a concorrência do produto brasileiro. Competimos em muitos produtos. Arroz é produzido no Brasil, na Argentina e no Uruguai. Mas eles têm um custo muito menor. Por isso, os produtores brasileiros estão indo para os países vizinhos para produzir mais barato. E acabam competindo com o produto que eles mesmos plantaram aqui.

 

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