Estilo no Campo

A arqueóloga da gastronomia

Como a paraibana Leneide Maia transformou a comida da roça sertaneja numa rede de badalados restaurantes

Conhecida como dona “Parêa”, termo popular que significa companheira, amiga, Leneide Maia Albuquerque, 52 anos, é a criadora do Mangai, restaurante que resgata a gastronomia do sertão nordestino. Paraibana de Catolé do Rocha, há 18 anos ela abriu o primeiro estabelecimento em João Pessoa. Pouco tempo depois, veio a filial de Natal, no Rio Grande do Norte, e este mês ela inaugura a filial do Distrito Federal. Segundo a empresária, a fórmula do sucesso está no “interior nordestino”. “Mantemos a nossa tradição. Nossas matérias-primas são a macaxeira, o bode e o queijo. Resgatamos comidas típicas como rubacão (baião-de-dois), arroz-de-leite, paçoca e também inovamos com base nestes ingredientes. É o caso da lasanha de macaxeira”, explica.

LAMPIÃO E MARIA BONITA: com garçons vestidos com roupas típicas do cangaço, o restaurante serve iguarias que misturam a comida do sertão à sofisticação das cidades

Orgulhosa de suas raízes, Leneide se sente feliz por mostrar ao Brasil as qualidades de sua região. “No passado, achavam os nordestinos um bando de miseráveis. Mas aqui tem gente forte: Paraíba mulher macho, sim senhor”, brinca. Dona “Parêa” é a prova disso. Contrariando a vontade da mãe, ela saía pela vizinhança vendendo rapaduras, queijo e outras miudezas, o que lhe rendia freqüentes broncas. Mas a menina tinha tino para os negócios e não se deixou abater. Começou vendendo para vizinhos, depois foi para a feira, até abrir, com o marido, uma pequena venda em João Pessoa. Lá, a princípio, só comercializava leite, queijo de coalho, rapadura, manteiga e carne-de-sol. A expansão da bodega veio da demanda dos próprios clientes. Quem chegava à venda na hora em que a família de Leneide estava almoçando, pedia para experimentar. De pedido em pedido, “Parêa” decidiu abrir um restaurante e deu o nome de Mangai, em homenagem à mãe.

A decoração segue a rusticidade característica de uma fazenda do interior: com mesas e cadeiras de madeira, muita palha e pencas de banana espalhadas pelo estabelecimento. O motivo Leneide explica com simplicidade: “Eu saí do mato, mas o mato não saiu de eu (sic)”. Além da ambientação, os garçons e garçonetes servem caracterizados de Maria Bonita e Lampião, o que leva o público a uma imersão na cultura nordestina. No cardápio, há mais de 200 pratos, entre eles a carnede- sol na nata e buchada de bode. Para garantir a qualidade dos alimentos servidos, a família de dona “Parêa” tem uma fazenda na Paraíba, onde produz maracujá, cajá, acerola, macaxeira e cria galinha caipira, porco e cabrito. Há também fornecedores selecionados segundo normas de qualidade do Mangai. Na parte de derivados do leite, a empresária, junto com o Sebrae e outras entidades, está apoiando um projeto que visa a qualificação dos produtores de leite de Catolé do Rocha. O objetivo é comprar a produção em médio prazo. Por ora, toda parte dos laticínios vem das fazendas da família.

A decisão de abrir uma filial em Brasília está relacionada ao fato de as cidade ser reduto de nordestinos. “É através da gastronomia que vamos nos mostrar ao mundo”, diz “Parêa”. A região escolhida fica próxima à ponte Juscelino Kubitschek. O Mangai ficará dentro da Associação dos Amigos da Gastronomia do Nordeste. “Tô investindo uns trocados, vendendo jumentas e cabritos”, diz. Mas especula- se que sejam R$ 3 milhões. E muitos esperam que a próxima filial seja em São Paulo, outro grande mercado.

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