Estilo no Campo

Histórias, cavalos e muito zelo

Como Anis Razuk levou para o campo as lições de ousadia que aprendeu ao fundar uma das maiores redes especializadas em cama, mesa e banho do País

Histórias, cavalos e muito zelo

fotos: Marco Ankosqui

Aos 87 anos, Anis Razuk é um senhor cheio de disposição. Dono das Lojas Zelo, uma das maiores redes especializadas em cama, mesa e banho do País, ele comanda 36 unidades em quatro Estados. Por ano, ele fatura mais de R$ 200 milhões com o negócio que começou com uma pequena loja no bairro industrial do Brás, na capital paulista. Mas, além de empresário, Razuk também é um bem-humorado contador de histórias – “causos” que normalmente envolvem uma de suas grandes paixões: a criação de cavalos.

E quando ele diz “grande paixão”, há motivos para acreditar. Sua fazenda, com 423 hectares, está localizada no município de Itu, cidade que se tornou famosa por confeccionar objetos em tamanhos exagerados. Coincidência ou não, o fato é que os animais que pastam em sua propriedade são de certa forma “objetos gigantes”, que impressionam pelo tamanho e peso. Com 1,80 metro e quase uma tonelada, as raças bretão e percheron são “tratores de quatro patas”, criados para trabalho pesado e provas de atrelagem. “Já cheguei a ter cavalos com 1.100 quilos”, conta Razuk.

A história de Razuk é permeada de ousadia. Ainda jovem, ele abandonou a fazenda da família em Pederneiras (SP) para tentar a vida na capital paulista. Durante o primeiro ano trabalhou como vendedor de tecidos, mas decidiu montar o próprio negócio e fabricar peças de enxoval, que em pouco tempo caíram no gosto dos paulistanos. “No começo, eu fazia tudo sozinho, não tinha dinheiro para ter empregado”, relembra. Nascia assim a Zelo, cuja primeira loja foi aberta em 1962, no Brás.

Hoje a empresa conta com mais de mil funcionários, e os quatro filhos de Razuk o auxiliam na administração. Esse pioneirismo ele levou também para o campo, quando decidiu investir nos cavalos bretão e percheron, até então pouco conhecidos no País. Os quatro primeiros exemplares ele trouxe da França há 15 anos, depois de ver os animais pelas ruas de Paris e ficar encantado. “Quando eu vi aquele cavalo enorme, decidi que traria alguns para o Brasil”, relembra o criador, que tem 70 animais das duas raças, dez cavalos campolina e alguns jumentos pouteau, conhecidos pela aparência exótica. “São excelentes marchadores, ótimos para montaria”, conta o empresário.

Um cavalo bretão ou percheron custa 8 mil euros em média

Tropa de peso: cavalos da raça bretão podem pesar mais de uma tonelada e atingir a altura de 1,80 m

O último exemplar importado da França foi Renard, um bretão rosilho que chegou ao Brasil em janeiro. O valor da compra ele não revela, mas a média de preço desses animais gira em torno dos 8 mil euros, valor que pode chegar aos R$ 80 mil, devido aos custos de importação. Mal chegou em terras brasileiras e o cavalo se consagrou como Campeão Nacional na exposição nacional da raça, que aconteceu em Avaré (SP) em fevereiro. “É um cavalo excepcional e temos planos de vender coberturas dele”, comemora o criador.

Seleção que vale ouro: só na exposição das raças, realizada em Avaré, SP, o criatório de Razuk conquistou 18 títulos

No mesmo evento, o criatório conquistou 17 títulos para ambas as raças, dez deles como primeiro colocado. Diante dessas conquistas, Razuk visualiza excelentes perspectivas. “Queremos compartilhar nossa melhor genética com os criadores e contribuir para o crescimento das raças no Brasil.”