Estilo no Campo

No campo com estilo

Conheça a história de Jorge Maluf, dono do Via Funchal, que faz de sua fazenda um verdadeiro show agropecuário

” A fazenda é gerida como uma empresa e faturou R$ 10 milhões no ano pasado “

Jorge Maluf, empresário e fazendeiro

D e segunda a sexta-feira a vida de Jorge Maluf se resume a shows, musicais e espetáculos em geral. Não que ele seja um boêmio. Na verdade, Maluf é dono do Via Funchal, uma das mais famosas casas de eventos de São Paulo, e responsável pela vinda dos principais artistas do show biz internacional ao Brasil.

Nos fins de semana, no entanto, o empresário deixa toda esta agitação de lado e volta suas atenções para outra estrela: a sua fazenda em Itapeva (SP), que, como não poderia deixar de ser, também é um espetáculo. É lá que ele relaxa do stress do dia a dia, mas, como bom fazendeiro, também coloca a mão na massa.

E trabalho é o que não falta por lá. Afinal, são mais de sete mil hectares de terra, cinco mil cabeças de gado de corte, lavouras de soja, milho, trigo e sorgo, fruticultura, cana-de-açúcar e reflorestamento. Além disso, a propriedade ainda conta com um haras de cavalos quarto-de-milha e algumas dezenas de gado nelore de elite.

“A fazenda é mais um dos negócios da família. Ela é gerida exatamente como uma empresa e precisa dar lucro. No ano passado tivemos um faturamento próximo dos R$ 10 milhões”, afirma Jorge, que usa seu Fusca conversível 1978 para checar pessoalmente as lavouras e o gado sempre que está por lá.

Fundada em 1945 por seu pai, Edmundo Maluf, a Fazenda São Paulo foi pioneira no cultivo de grãos no Estado. Nos anos 50, chegou a ser apontada pela Secretaria de Agricultura como a maior produtora de trigo de São Paulo, com uma área estimada em cinco hectares plantados.

Hoje a história é bem diferente. Só de soja e milho são quase dois mil hectares, com produtividade altíssima. “Nenhuma região tem uma produtividade como a nossa. Conseguimos até 200 sacas por hectare de milho e 70 sacas por hectare de soja”, conta João Dias, gerente da fazenda há 16 anos.

Show agropecuário: segundo o gerente João Dias (acima), a produtividade na região é acima da média estadual. Já Cássio Maluf (à dir.) aponta a diversificação como o principal segredo do sucesso

Mas Jorge Maluf não está sozinho nessa. Assim como no Via Funchal, ele conta com a ajuda de seu irmão Cássio, outro apaixonado pelo agronegócio, para tocar a fazenda. Discreto, Cássio não gosta muito de aparecer, mas é de extrema importância para o bom andamento dos negócios da família. Assim como seu pai, conhece a fundo as características de cada cultura, o andamento de suas lavouras e os preços das commodities.

Depois, junta todas as informações, monta um cenário e planeja as safras. Um trabalho realmente estratégico.

“Meu pai era louco pela fazenda. Crescemos aqui, então não teve como não pegarmos o gosto pela coisa”, diz Cássio, garantindo que a distância não atrapalha na administração da fazenda. “Moramos em São Paulo, por isso ficamos longe na maior parte do tempo, mas estamos sempre a par do que está acontecendo”, continua o empresário, que, graças ao seu planejamento, conseguiu sair ileso da crise que abalou o agronegócio brasileiro no último ano. “Por termos uma diversificação de culturas, sempre ganhamos com alguma coisa.”

Jorge concorda com o irmão e dá provas de que entende mesmo do assunto ao falar com toda a naturalidade do mundo da época em que decidiu investir em uma até então exótica criação de javalis selvagens. Anos depois, viu que o negócio já não valia mais a pena, vendeu todo o rebanho e partiu para outra. Agora, em novo ato de pioneirismo, a dupla aposta suas fichas na Agrovia, feira agropecuária realizada dentro da Fazenda São Paulo, que logo em sua primeira edição atraiu mais de 100 expositores e gerou cerca de R$ 40 milhões em novos negócios.

Agrovia: logo em sua primeira edição, a feira gerou mais de R$ 40 milhões em novos negócios

A ideia dos irmãos Jorge e Cássio é fazer da Agrovia referência na região e não pretendem poupar esforços – e nem investimentos – para isso. “Já conseguimos parcerias de peso para a próxima edição, que deve ser bem maior e gerar ainda mais negócios que neste ano”, completa Jorge, que quer fazer de seu dia de campo um verdadeiro show agropecuário. Assim como faz de segunda a sexta- feira no Via Funchal.