Estilo no Campo

Plantando adrenalina

Empresário do setor de comércio exterior transforma plantações da família em fazenda de aventura e ganha dinheiro com isso

“GIBA” TARANTINO: transformou a fazenda da família numa fábrica de diversão

Em 1500, quando Pero Vaz de Caminha aportou em solo brasileiro, enviou carta ao reino de Portugal relatando as belezas que por aqui encontrou. Dessa missiva, com uma pitada de ufanismo, nasceu a expressão que é “a terra que tudo dá”. O que Caminha nem imaginava, porém, é que realmente quase tudo se torna possível. Até plantar aventura, diversão e adrenalina, coisa que naquele tempo ele nem fazia idéia que poderia virar um bom negócio… Mas, passado meio milênio e sabendo muito bem que uma boa diversão tem seu preço, o empresário Gilberto Tarantino, conhecido como “Giba”, decidiu mudar os rumos da fazenda de sua família. Titular da empresa Getec Trading, que trabalha com as marcas C&C, Nissan, entre outras, ele transformou os 300 hectares adquiridos em 1977 pela família de maneira radical. Onde eram plantados milho, feijão ou pastavam bois e cavalos, há, agora, cabos de aço, tirolesas, arvorismo, pista de montain bike, cavalgadas e trilha para rali com caminhonetes off road. O pólo agrícola se transformou numa fazenda de aventuras, a “Base 84”.

Praticante de esporte de aventura desde a adolescência, a idéia do empreendimento nasceu do sonho de fazer o que gosta e ainda ser bem remunerado por isso. Por dois anos ele percorreu o circuito de corridas de aventura, estudou o que era necessário em relação à infra-estrutura e bolou um plano para ser colocado em prática. O investimento inicial foi de US$ 90 mil. “Comprei o que há de melhor em se tratando de segurança”, comenta Tarantino. Onde existiam velhas cocheiras, montou-se uma cozinha para atender os visitantes com comida caseira, à base do forno de lenha. Toda a decoração lembra uma velha casa de fazenda, e até mesmo o auditório montado para pequenas convenções tem jeito de uma casa de campo.

Neste ano, segundo Tarantino, 850 pessoas já passaram pela fazenda. “Nosso público é o corporativo. As empresas gostam de lugares diferentes para realizar seus eventos”, diz. O custo fixo mensal da fazenda é de R$ 12 mil e cada grupo de 50 pessoas paga, em média, R$ 15 mil. “Vamos receber pelo quarto ano seguido a Mitsubish Cup”, comenta o empresário, se referindo ao evento realizado anualmente pela montadora japonesa em sua propriedade. O maior fluxo de visitantes acontece durante a semana e no segundo semestre. “As empresas preferem dispor de dias úteis para esses eventos, que, apesar de divertidos, são utilizados pelos departamentos de Recursos Humanos para identificar lideranças e passar algo de positivo para os colaboradores”, salienta.

A escolha da atividade e a disposição em investir nasceu, de acordo com o empresário, principalmente da falta de tempo e know-how para a agricultura. “Trabalhar no campo, com plantação e pecuária, exige presença constante na propriedade e eu tenho minhas atribuições em São Paulo”, destaca. O melhor de tudo, para ele, é o fato de ter conseguido aliar o prazer da aventura a uma atividade econômica. Sua maior diversão consiste em verificar se os eventos ocorrem como o planejado. Para tanto, Tarantino sobe em sua montain bike e auxilia os visitantes como um simples monitor. Nas horas vagas, para não perder o costume, ele “testa” os aparelhos e também se diverte um pouco. Com uma pequena parte arrendada para uma usina de cana, ele diz preferir não ficar à mercê dos preços das commodities agrícolas e fazer uma utilização diferente de suas terras. “Aqui, na nossa fazenda, nós plantamos adrenalina”, brinca Tarantino.