Estilo no Campo

Um Museu a céu aberto

Parque Histórico de Carambeí, no Paraná permite vivenciar a história da imigração holandesa no Brasil

Há exatamente um século, três famílias holandesas, os Verschoor, Vriesmann e os De Geus chegaram ao Sul do País em busca de oportunidade de trabalho nas linhas férreas da empresa Brazil Railway Company, no Paraná. Os pioneiros fincaram raízes na Vila de Carambehy, a 140 quilômetros de Curitiba, a capital do Estado, onde também passaram a explorar pequenas propriedades agrícolas. Mais tarde, outras famílias, como os Voorsluys, os Harms, e os Los se juntaram ao núcleo inicial, que no decorrer dos anos foi se espalhando por outras regiões do Brasil. Não se sabe, ao certo, o número de holandeses que entraram no País nesses 100 anos. No entanto, seu legado é mais do que visível em diversas áreas de atividades da economia, a começar pelo agronegócio. Fazem parte da herança deixada pelos primeiros imigrantes, contribuições como o conhecimento de uma produção tecnificada, o plantio direto, a pecuária leiteira de alta linhagem e, o não menos importante, o cooperativismo. Essas e as demais contribuições dos súditos da rainha Beatriz e de seus antepassados são tão marcantes que o governo federal resolveu instituir 2011 como o “O Ano da Holanda no Brasil”.

Um dos pontos altos da comemoração do centenário da imigração holanesa foi a inauguração, no mês de abril, do Parque Histórico de Carambeí, um conjunto que ocupa uma área de 100 mil metros quadrados e foi o primeiro projeto a receber verbas de incentivo da Lei Rouanet para as obras físicas. Ali, o turista tem a oportunidade de conhecer as instalações do antigo estábulo da família De Geus, construído em 1946. O local se transformou na Casa da Memória, que abriga o acervo histórico dos pioneiros. As cangas, peças de madeira que prendiam os bois pelo pescoço e os ligavam ao carro de arado, utilizadas no rebanho da família De Geus, estão expostas, assim como as ordenhas manuais e livros utilizados naquela época. “Passamos um ano garimpando utensílios, nas casas de filhos e netos de antigos colonos”, diz Dick Carlos de Geus, presidente da Associação do Parque Histórico de Carambeí e filho do pioneiro.

Atração: os turistas podem visitar a antiga Estação Carambeí e até se vestir com roupas típicas. Detalhe para os tamancos holandeses, tradicionais sapatos feitos de madeira

 

O parque permite aos visitantes vivenciar um pouco do cotidiano dos pioneiros e a sua lida no campo. Entre as atrações, há curiosidades daquela época, como o moinho que não apenas servia para a geração de eletricidade, mas era usado também para movimentar as bombas que drenavam as águas de regiões baixas e alagadas da Holanda. A réplica de uma ponte, importada daquele país, também foi construída sob um canal que dá acesso à representação de uma pequena vila de moradores. “As pessoas de todas as idades se emocionam ao se deparar com o retrato do passado”, diz de Geus. O conjunto arquitetônico da Vila Histórica de Carambeí é representado pela estação de trem e mais 12 casas, que foram construídas com 60% do seu tamanho original. Aliando passado e a preocupação com o futuro, toda a madeira utilizada nas construções tem origem certificada, ou seja, é material oriundo de florestas plantadas.

Outra atração é o Museu do Trator, composto por 20 veículos bem preservados, a maior parte em pleno funcionamento. Ao lado do museu, o visitante encontra uma atração inesquecível, para o seu estômago. Trata-se da Confeitaria Koffiehuis, que oferece quitutes típicos da culinária da Holanda, como uma appeltaart (torta de maçã). Inesquecível, é o mínimo que se pode dizer da torta holandesa.

 

Objetos: a Vila Histórica de Carambeí permite aos visitantes vivenciar o cotidiano dos antigos colonos

Por todo o parque estão três símbolos, que lembram valores fundamentais da história da região: o peixe (religiosidade), o semeador (trabalho) e o cooperativismo (associativismo). “Os pilares da imigração são bem representados. Foram eles que fortaleceram a permanência dos pioneiros na região”, afirma de Geus. Segundo ele, futuramente, com a construção do Centro Cultural Amsterdã, do Parque das Águas e da minifazenda, o local poderá se tornar um dos maiores museus a céu aberto do País. “O parque é uma justa homenagem a todos aqueles que fizeram de Carambeí uma das maiores colônias holandesas do País”, afirma de Geus.

Serviço: Parque Histórico de Carambeí Av. dos Pioneiros, 4.050 – Carambeí (PR) Tel.: (41) 3039-0971 www.parquehistoricodecarambei.com.br