Estilo no Campo

Vem aí o show biz do Nelore

Os leilões de elite vêm se transformando em espetáculos cada vez mais elaborados, mas até onde este show pode chegar?

A intenção dos empresários Olavo Monteiro de Carvalho, Maurício Odebrecht e da cantora Ivete Sangalo era apenas fazer um leilão, mas eles superaram todas suas expectativas. Mesmo sem nenhum animal presente ao luxuoso hotel Stella Maris, em Salvador, o Levanta Poeira 2008 bateu mais uma vez o recorde de faturamento de um leilão de embriões, garantindo aos promotores mais de R$ 5 milhões. Entre os convidados, apenas a elite da elite do nelore nacional, atraída não apenas pelos produtos à venda, mas pelo espetáculo como um todo. Afinal, não é todo dia que se tem a oportunidade de ver animais projetados em holografia e nem um show de Ivete.

“Eu nunca imaginei que essas vaquinhas fossem me dar tanto dinheiro”

IVETE SANGALO, cantora e nelorista

Pode parecer um exagero, mas esta é a tendência dos leilões de nelore para os próximos anos. Apenas em 2008, foram mais de 600 leilões pecuários, dos mais simples até os mais suntuosos, e é obvio que não dá para acompanhar de perto todos os pregões. Por isso, os promotores têm buscado bons atrativos – além dos animais – para garantir a presença em massa dos grandes compradores.

“Tem que ter qualidade em todos os aspectos, senão o leilão não se paga. Por isso, reunimos apenas os melhores animais nos melhores locais”, garante Carvalho. “Utilizamos apenas o que há de mais moderno. Temos que usar as novas tecnologias a favor do nelore”, continua o nelorista, que prefere não revelar o investimento feito no Levanta Poeira. “Só posso dizer que foi muito dinheiro.” Estima- se que um evento deste porte, para mais de mil pessoas, não saia por menos de R$ 400 mil.

JONAS BARCELLOS: organizador do leilão Mata Velha atrai os neloristas pela qualidade dos animais oferecidos

O resultado, no entanto, compensa. Mais que os R$ 5 milhões de faturamento, o leilão contou com a presença de todos os grandes criadores do País, o que dá prestígio e visibilidade para a próxima edição, em 2009. Até Ivete se surpreendeu com o evento e, principalmente, com os resultados. “Eu nunca imaginei que essas vaquinhas fossem me dar tanto dinheiro”, disse a cantora, durante o show realizado após o final do leilão.

Outro que vem usando desta estratégia para atrair investidores é Ivan Zurita. Em 2005, organizou um megaevento no badalado Terraço Daslu e reuniu artistas como Tom Cavalcanti, Ana Maria Braga, Hebe Camargo e Adriane Galisteu. Recheado de estrelas, o leilão da raça simental ganhou publicidade até em revistas de celebridades. Foi um marco na pecuária de elite. Desde então, não bastava mais ter apenas os melhores animais.

Em 2008, o leilão de Zurita, agora batizado de “AgroZ – Investment Grade”, foi mais uma vez um sucesso. Além de reunir as estrelas de sempre, contou com a presença dos mais tradicionais neloristas brasileiros, como Jonas Barcellos, Alice Ferreira, Benê Mutram e Paulo Abate. No final do dia, show com Lulu Santos e faturamento superior a R$ 7 milhões.

O leilão Mata Velha, de Jonas Barcellos, é um caso à parte. Realizado há oito anos em Uberaba-MG, é considerado o principal evento do circuito dos leilões no Brasil. Não é para menos. De lá saíram os animais mais caros já negociados na história do nelore. No ano passado, quando o pregão bateu recorde de R$ 8,7 milhões de faturamento, o empresário Amílcare Dallevo, dono da RedeTV!, arrematou 33% da doadora Elegance II por R$ 1,424 milhão, no segundo maior negócio da história da pecuária de elite no Brasil. A maior transação da história também foi feita lá, mas em 2004, quando Barcellos vendeu Recordação da Mata Velha por R$ 4,480 milhões. Prova de que os grandes eventos trazem grandes lucros. E que venham novos recordes em 2009.

“GRAND SLAM DO NELORE”

Para “re-elitizar” os leilões, pecuaristas tradicionais querem formar um circuito

Nos últimos anos, os leilões de nelore puro de origem vêm crescendo de uma forma jamais imaginada. Antes, eram eventos reservados apenas aos pecuaristas considerados de elite, aqueles comprometidos com o melhoramento da raça, mas com a popularização dos espetáculos – e também das linhagens nelore – esta elite cresceu de uma forma assustadora. Preocupados, os mais tradicionais já estudam uma forma de retomar as rédeas do negócio.

Encabeçado por Olavo Monteiro de Carvalho e Maurício Odebrecht, um grupo de neloristas vem arquitetando o que pode vir a se tornar o “grand slam” dos leilões. Assim como acontece no tênis ou no golfe, seriam eventos isolados com um peso maior em relação aos leilões convencionais. Uma espécie de elite da elite. Neles, só teriam espaço os melhores exemplares das raças. A idéia é organizar megaleilões em determinados pólos e atrair os investidores de todo o Brasil para uma grande festa.

O próprio Carvalho, em parceria com Odebrecht, seria o responsável por organizar a etapa baiana do circuito. No Rio de Janeiro, o jovem pecuarista Felipe Picciani seria o protagonista, enquanto Ivan Zurita e Jonas Barcellos estariam sendo cotados para comandar as etapas de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. Outras regiões com apelo mais turísticos também poderiam ser incluídas no calendário. A idéia pode vingar já em 2009. Agora, basta esperar os próximos lances.