Negócios

Investimento certo

o Mercado de fertilizantes organominerais cai na graça dos produtores e seu consumo cresce À taxa de 16% ao ano, atraindo as fabricantes do setor

Nos últimos tempos, adubar a lavoura e pastagens para o gado com produtos biológicos vem caindo, cada vez mais, no gosto do produtor brasileiro. Entre eles estão os organominerais, produtos compostos por uma base orgânica, como vegetais decompostos e enzimas, enriquecidos com fertilizantes minerais. Esse tipo de adubo atrai, principalmente, os chamados produtores verdes, identificados com o conceito de agricultura ecológica. No entanto, os fertilizantes organominerais servem para todas as lavouras, inclusive as não orgânicas. Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em 2013 foram vendidos 3,5 milhões de toneladas de organominerais, volume que deverá crescer para oito milhões em 2015. De olho nesse mercado, que tem crescido a uma taxa média de 16% ao ano, muitas empresas do setor de fertilizantes não têm economizado esforços para ocupar um espaço. “Os agricultores sabem que precisam se mostrar cada vez mais sustentáveis ao mercado”, diz Leandro Suppia, diretor da Microbiol, de  Limeira (SP), uma das mais antigas do setor, criada em 1994. “Por isso, o nicho dos organominerais é promissor.” A fertilização com os organominerais pode ser feita de duas maneiras. Uma, mediante a colocação do adubo de forma tradicional, na terra ou na semente; a outra, através da pulverização nas plantas. Entre os produtores que se renderam aos organominerais  está Sandro Gonçalves Pedrosa, que desde 2007 utiliza o produto em 125 hectares de cana-de-açúcar em sua fazenda de Luiziânia, no interior paulista. “Desde que conheci a adubação biológica, nunca mais deixei de usar”, diz Pedrosa. Ele diz ter começado com uma caixa para preparar 300 litros de fertilizante e no ano seguinte já eram três mil litros. “Logo nas primeiras aplicações, vimos uma grande diferença, pois a planta cresceu mais e ficou bem enraizada”, diz. “Hoje, temos dois tanques de 100 mil litros cada um, e utilizamos os organominerais em 100% da lavoura.” Pedrosa é um dos clientes da Microbiol, detentora da marca Microgeo, empresa de pequeno porte com apenas 60 funcionários, mas que tem planos ambiciosos de crescimento. Neste ano, o investimento de R$ 3 milhões em uma nova fábrica ao lado da antiga, em Limeira, deverá elevar a capacidade de produção de quatro mil toneladas de produtos, ao ano, para dez mil toneladas. Com a expansão, a receita prevista para 2014 deverá chegar a R$ 45 milhões.  “Nos últimos anos, nosso crescimento tem ficado próximo de 30%”, diz Suppia. Atualmente, a Microbiol conta com uma carteira de cerca de quatro mil clientes, entre agricultores e pecuaristas, no Brasil e em países da América Latina, como Argentina, Paraguai e Uruguai.

Entre as grandes do setor, uma das que têm investido em organominerais é a Josapar, de Pelotas, no Rio Grande Sul, referência no segmento de arroz com as marcas Tio João, Meu Biju e SupraSoy. Em 2013, ela foi destaque no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL. No ranking dos 500 destaques do agronegócio, a Josapar ficou em primeiro lugar na categoria Grãos. A empresa, que no ano passado faturou R$ 1,1 bilhão, mantém braços comerciais de apoio aos produtores, entre eles uma divisão de insumos. Em julho, foi lançada uma nova marca de fertilizantes especiais, a Biofértil, que chega ao mercado em sete versões. “Quatro delas são para aplicação foliar e três via sementes”, diz Augusto Lauro de Oliveira Júnior, vicepresidente da Josapar. Desde 2010, a empresa gaúcha já investiu R$ 2 milhões para testar seus produtos em outras culturas, como soja, milho e trigo, em diferentes condições climáticas.

Oliveira Júnior diz que a venda de insumos representa 12% no faturamento anual, cerca de R$ 132 milhões, mas pode ser mais. “A tendência é de um forte crescimento para os próximos anos”, afirma. “Temos um mercado bastante maduro no uso da tecnologia de adubos organominerais e esse produto vai acompanhar o crescimento dos fertilizantes básicos.” Assim como a Josapar, quem está ampliando os investimentos é a Geociclo, criada em 2012 pelo empresário carioca Olavo Monteiro de Carvalho, um dos herdeiros do grupo Monteiro Aranha, e pelos fundos Mantiq e Performa. Com um faturamento previsto de R$ 75 milhões neste ano, a Geociclo está aplicando R$ 32,5 milhões na ampliação da capacidade de  produção de sua fábrica de Uberlândia (MG), das atuais 25 mil toneladas para 140 mil toneladas por ano. Segundo Ernani Judice, diretor da Geociclo, a expansão da unidade irá atender a uma demanda crescente por fertilizantes na região do Triângulo Mineiro. “Nessa área, a demanda tem sido cinco vezes maior que a nossa capacidade de entregar o produto”, afirma Judice. “Por isso, estamos nessa grande expansão”, diz. O aquecimento desse mercado tem despertado o interesse de outros fundos de investimento, como é o caso do grupo Aqua Capital, de São Paulo.

Com foco no agronegócio e no processamento de alimentos, o Aqua administra recursos da ordem de R$ 500 milhões para aplicar em médias  empresas. Sua mais recente aquisição foi a Aminoagro, que fabrica fertilizantes foliares em Cidade Ocidental, em Goiás, município próximo do Distrito Federal. De acordo com Sebastian Popik, diretor do Aqua, o interesse pela Aminoagro ocorreu por atuar no segmento de fertilizantes especiais. “Não dá para desprezar um setor que cresce a uma taxa de dois dígitos ao ano”, diz Popik. O fundo investiu R$ 60 milhões na Aminoagro, empresa familiar que atua há nove anos no setor. Em 2013, a receita da empresa foi de R$ 40 milhões (75% vieram dos organominerais). Para Ricardo Carreon, presidente da Aminoagro, neste ano a expectativa é de chegar a R$ 56 milhões. “Apostamos em todas as culturas, mas a soja representa a maioria do nosso faturamento hoje”, diz Cameron.