As Melhores da Dinheiro Rural

Na linha de frente

Ambev e Bayer mostram que com gestões afinadas os seus negócios prosperam e geram riqueza ao País

Na linha de frente

Expansão: nos nove primeiros meses deste ano, a Ambev, do CEO Bernardo Paiva (à esq.) investiu R$ 2,2 bilhões no País Foto: Rafael Hupsel/Ag Isto E

Em tempos de crise, ter uma boa gestão pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. As gigantes Ambev, dona das marcas Skol, Brahma e Antarctica, e a Bayer, que atua nas áreas de saúde e agricultura, fizeram a lição de casa em 2014. O trabalho de administrar bem seus negócios com uma economia retraída no Brasil lhes valeu os prêmios máximos nas MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2015 em AGRONEGÓCIO INDIRETO – CONGLOMERADOS. A Ambev, liderada pelo CEO Bernardo Paiva, levou o prêmio principal e o de GESTÃO FINANCEIRA. A Bayer sagrou-se em GESTÃO CORPORATIVA.

O vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Ambev, Nelson Jamel, explica que a decisão da cervejaria, nos últimos anos, tem sido crescer de forma orgânica, com investimentos pontuais e análise criteriosa do cenário no médio e no longo prazo. “Seguimos focados e confiantes em nossas estratégias comerciais. Reconhecemos a crise que nos cerca, mas decidimos não participar dela”, diz Jamel, ao justificar os bons números. Considerando-se apenas as operações da Ambev no Brasil, de janeiro a setembro deste ano, a empresa contabilizou uma geração de caixa (Ebitda) de R$ 8,9 bilhões, o que representa um ganho de 12,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando-se as perspectivas dos analistas de mercado, de uma retração em torno de 3% do PIB nesse ano, o resultado é expressivo e se traduz em confiança dos investidores. Neste ano, as ações ordinárias da Ambev acumularam, até 2 de dezembro, uma alta de 16,4%, contra uma queda de 10,2% do Ibovespa, o índice das ações mais negociadas na BM&FBovespa. A Ambev, aliás, tem valor de mercado de R$ 289,1 bilhões, a mais valiosa do Brasil.

Foi em função de um caixa equilibrado que a Ambev manteve o pé no acelerador em seus investimentos. Em 2014, foram aplicados R$ 3,1 bilhões em uma série de projetos para azeitar a máquina da companhia. Nos nove primeiros meses deste ano, a dona da Skol já investiu R$ 2,2 bilhões no País. Jamel explica que o dinheiro investido em 2015 foi destinado à implantação de novas tecnologias, desenvolvimento de pesquisas e modernização e aquisição de equipamentos para as unidades, além da ampliação de algumas fábricas da companhia, como a de Aquiraz (CE), Sete Lagoas (MG) e Itapissuma (PE). Outro movimento importante foi a construção de duas novas unidades, em Uberlândia (MG) e Ponta Grossa (PR), informa o executivo. “Estamos focados nas plataformas comerciais e de relacionamento com os consumidores”, afirma Jamel. Ele explica que o planejamento enfatiza investimentos cada vez mais agressivos no segmento premium de cervejas, além de inovações na composição da bebida e nas embalagens. O objetivo é atender diferentes perfis de consumidores e ocasiões de consumo, dentro e fora de casa.

Na diversificação de produtos ou inovações a que se refere o vice-presidente, a Ambev lançou, em 2014, a Skol Beats Senses, primeira cerveja que pode ser consumida com gelo. Em 2015, foi a vez da Skol Ultra, cerveja com menos calorias e carboidratos (99 Kcal em 310 ml) e três novas linhas da Brahma Extra – Lager, Red Lager e Weiss. Em relação às cervejas premium, a Ambev aposta nesse segmento para engordar o caixa com marcas como Stella Artois, Budweiser, Original e Corona. Segundo a empresa, somente esse nicho já representa 9% do volume total de cerveja comercializado no País, e a tendência é de crescer ainda mais.  Para a outra aposta que tem rendido bons dividendos, as embalagens, as ações também são diversificadas. A Ambev aumentou a distribuição de garrafas de vidro retornáveis nos supermercados, que hoje representam quase 20% do volume neste canal. Já nos bares, a companhia tem reforçado a presença das garrafas retornáveis de um litro, opção também mais econômica.

GESTÃO  –  Não seria exagero dizer que a Bayer CropScience do Brasil, unidade das ciências agrícolas e um dos três braços do grupo Bayer, tem gestão no seu DNA. Pelo menos é desta forma que enxerga seu atual presidente para o Brasil e a América Latina, Eduardo Estrada Whipple. “Nossos grandes diferenciais são a união de tecnologia, tradição e parceria com importantes elos da cadeia produtiva”, diz o executivo. De acordo com Estrada, a inovação é essencial para a agricultura moderna e é uma importante ferramenta que chega aos produtores rurais, por meio de soluções inovadoras oferecidas pelas empresas do setor.
Em 2014, a Bayer faturou R$ 5,46 bilhões no País, um crescimento de 24% se comparado ao ano de 2013. Para continuar no caminho do crescimento, a companhia investiu R$ 31 milhões para inaugurar em novembro deste ano os seus Laboratórios de Monitoramento de Resistência a Fungicidas, Herbicidas e Inseticidas (FHI), e o Centro de Tecnologia de Aplicação, em Paulínia (SP), destinados a atender especificamente as necessidades da agricultura no País. Liderando uma equipe de 1,9 mil funcionários no País, o engenheiro Estrada, nascido na Guatemala, lembra que a empresa inovou ao incorporar o conceito CEAT (Centro de Expertise em Agricultura Tropical), uma forma de inovação criada para estudar soluções tecnológicas para os sistemas produtivos tropicais. “O objetivo é atender as necessidades específicas dos produtores no Brasil e na América Latina”, afirma. O CEAT atua em um modelo de colaboração, estabelecendo parcerias públicas e privadas, com o objetivo de integrar soluções para o cultivo das lavouras.


Estrada, presidente da bayer: “A inovação é essencial para a agricultura moderna”

O foco nos negócios e as medidas personalizadas a cada país em que atua é também parte do sucesso da Bayer. Estrada explica que a agricultura de clima tropical exige atenção especial e monitoramento constante sobre as evoluções de fungos, pragas e plantas daninhas, que podem prejudicar a produtividade das lavouras. “O desenvolvimento de defensivos agrícolas e a aplicação correta, adequados à realidade local, são fundamentais para ajudar o produtor a produzir mais e melhor”, diz ele, ao justificar uma série de ações nesse sentido. Uma delas é dar sequência às pesquisas em desenvolvimento em Paulínia. Entre elas estão produtos para culturas perenes, como café, citros, cana-de-açúcar, videira, banana e manga, e as culturas anuais, como soja, trigo, milho, algodão, feijão, arroz, batata, tomate, fumo, amendoim, e também de hortaliças.