As Melhores da Dinheiro Rural

Phibro engorda o caixa

Pesquisa e foco no mercado ajudam a multiplicar os negócios da subsidiária americana no Brasil

Phibro engorda o caixa

Divulgação

A pecuária de corte brasileira acumulou em 2014 uma valorização jamais vista pelo setor. O preço médio da arroba do boi gordo, pago ao produtor, subiu 25%: saltou de  R$ 114 para R$ 143 nos negócios fechados à vista em São Paulo, praça que referencia todo o gado vendido no Brasil, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP). E as empresas do setor têm pegado carona nesse crescimento. Uma delas é a subsidiária americana Phibro Saúde Animal, especializada na produção de aditivos para ração animal. Em 2014, do faturamento de R$ 277 milhões, R$ 125 milhões vieram da pecuária, 60% acima do apurado no ano anterior. O restante da receita veio de produtos para aves, suínos, peixes e crustáceos. “Crescemos porque apostamos em aditivos que melhoram o desempenho do gado criado no pasto”, afirma o médico veterinário Stefan Mihailov, presidente da Phibro no País. Pelo desempenho em 2014, 37% acima do apurado no ano anterior, a Phibro ficou em primeiro lugar no setor de NUTRIÇÃO ANIMAL no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2015. A empresa também levou o prêmio máximo em AGRONEGÓCIO DIRETO – MÉDIAS EMPRESAS.

Com duas fábricas em São Paulo, uma em Bragança Paulista e outra em Guarulhos, a Phibro processa anualmente 22 mil toneladas de aditivos alimentares. A empresa está no Brasil desde 1995, quando começou a investir no setor avícola, mas o grande salto aconteceu, em 2013, com a pecuária, após três anos de uma série de pesquisas. Elas aconteceram com universidades, como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba, e com a Agência Paulista de Tecnologia de Agronegócios (Apta), em Colina, órgão da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Para Mihailov, a Apta foi muito importante no processo de crescimento da Phibro porque foi com ela que aconteceram as principais pesquisas para o uso no campo da molécula exclusiva da companhia, chamada virginiamicina. Obtida pela fermentação da bactéria Streptomices virginae, quando misturada na composição de uma ração ou no sal mineral, ela promove maior ganho de peso na engorda do gado. A tacada foi de mestre. O valor de R$ 4,5 milhões investidos na pesquisa foi simbólico, perto dos ganhos da empresa. “Há quatro anos, os produtos para bovinos representavam menos de 10% de todos os nossos negócios no Brasil, hoje são 45%”, diz Mihailov.

De acordo com o zootecnista Gustavo Rezende Siqueira, pesquisador da Apta, os estudos mostraram que o tempo de engorda dos animais pode ser reduzido com segurança. “No caso de bois confinados, são 30 dias a menos no cocho”, diz Siqueira. “Nos animais engordados no pasto, a redução chega a 40 dias.” Na criação de um boi, isso significa um confinamento de 60 dias ou, se for engordado no pasto, o abate pode ocorrer aos 24 meses, aumentando a rentabilidade dos rebanhos.

Neste ano, com a tecnologia da molécula da Phibro, a Apta mostrou mais uma ferramenta de intensificação na engorda dos animais, denominada Boi 7.7.7.  De acordo com a empresa, muitas fazendas já estão experimentando a formulação de uma dieta para um bovino engordar sete arrobas até o desmame, outras sete no período de recria e mais sete na terminação para o abate. “Um animal jovem, abatido com 315 quilos, é tudo o que a indústria da carne precisa e isso traz ganhos ao produtor”, diz Mihailov. Para continuar crescendo, o executivo conta com um cenário promissor no setor de alimentação animal no País. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), a expectativa de avanço na produção de ração e sal mineral para bovinos, suínos aves e peixes é de 27% até 2020, saindo das atuais 67,5 milhões de toneladas para 86 milhões. Para o vice-presidente da entidade, Ariovaldo Zani, os produtos para bovinos têm crescido a uma média de 3% ao ano, como deve ocorrer em 2015. “A pecuária de corte vem influenciando positivamente a indústria, em função do aumento da competitividade brasileira nas exportações de carne”, diz Zani. “E a tendência é de que esse cenário permaneça. ”

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