As Melhores da Dinheiro Rural

A voz da floresta

CO pecuarista Mauro Lúcio Castro Costa mostra que é possível fazer da preservação ambiental uma fonte rentável para as fazendas

A voz da floresta

Segredo: para tornar sua propriedade mais sustentável, Costa investe em produtividade Foto:Joao Ramid

Oprodutor de gado Mauro Lúcio Castro Costa, dono da fazenda Marupiara, em Paragominas (PA), gosta de dizer que é da terra que ele vive. Mas nem sempre essa foi uma expressão de orgulho, principalmente nos anos de 2008 a 2010, época em que Paragominas figurava na lista negra do Ministério do Meio Ambiente como o município campeão em destruir florestas no País. Por seu papel na transformação do município em exemplo de recuperação ambiental e por ter se tornado, nos últimos anos, uma das principais vozes na difusão de que cabe ao pecuarista manter o meio ambiente, Castro Costa é o campeão na categoria FAZENDA SUSTENTÁVEL entre os Destaques da Pecuária no prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO RURAL 2015.

A fórmula defendida por Costa para tornar uma propriedade sustentável é investir em produtividade para garantir um melhor retorno financeiro. “Uma fazenda pode aumentar em 10% a sua produção de carne, fazendo com que a lucratividade seja multiplicada por cinco”, diz ele. “Assim, não é preciso desmatar para aumentar a produção de gado criado no pasto.”  Ele mostra os números de sua fazenda para defender a tese. Em 2003, havia menos de uma cabeça de gado, por hectare, na Marupiara. Na época, a relação entre área utilizada e produção anual era de 170 quilos de carne por hectare. Passados dez anos, depois de intensificar o uso da terra, o desempenho triplicou: são 2,21 cabeças por hectare e a produtividade anual é de 543 quilos de carne por hectare. A fazenda Marupiara possui um rebanho de 1,1 mil animais em apenas 880 hectares, de um total de 4,3 mil. A diferença, de 3,4 mil hectares, são matas preservadas, como determina a lei.

Para aumentar a lucratividade, criando mais animais por área de pasto, Castro Costa passou a cuidar do capim como se fosse uma lavoura, adubando e manejando a comida do gado. Mas ele acredita que pode ir além. Em uma área de experimento, o pecuarista plantou mais de dez variedades de plantas forrageiras e nesta safra chegou a uma lotação de quatro cabeças por hectare, com produção de 973 quilos de carne por hectare ao ano. “Quero saber qual será o meu teto de produção, sem ferir os meus preceitos morais, ambientais, legais e de bem-estar animal.” Na área de pasto, ele também vem plantando árvores nativas, que poderão ser exploradas legalmente no futuro, como a andiroba, o freijó, o cedro, o ipê e o jatobá. São árvores que levam 30 anos para chegar ao ponto de colheita e que hoje renderiam R$ 7 mil, por hectare, se estivessem prontas para serem manejadas. “Se a reserva ambiental é uma fonte de renda, a preservação passa a ser feita de forma diferente”, diz o pecuarista.  “Sai o peso da obrigação e a sustentabilidade se torna parte do negócio”.