O Campo em números

Rumo à China

CANA-DE-AÇÚCAR
Usina Colombo lucra mais

A Usina Colombo, grupo sucroenergético com três unidades no Estado de São Paulo, teve na safra 2014/2015 lucro líquido de R$ 158,7 milhões. O resultado é 66% maior que os R$ 91 milhões registrados na safra anterior. Apesar do balanço positivo, o endividamento do grupo cresceu. A dívida total subiu 7,3%, para R$ 1,1 bilhão. As três unidades da Colombo processaram oito milhões de toneladas de cana.

BIOENERGIA
USDA vai fazer investimentos

O secretário do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda, na sigla em inglês), Tom Vilsack , anunciou no mês passado, investimentos de US$ 63 milhões para financiamento de 264 projetos de eficiência energética e de energias renováveis. Esses projetos deverão gerar 207,8 milhões de quilowatts-hora de energia, o suficiente para abastecer mais de 13,6 mil casas por um ano. Do total disponível, cerca de US$ 3,3 milhões serão destinados a projetos de produção de biocombustíveis.

REESTRUTURAÇÃO
Mudanças na Ceagro

Em dificuldades financeiras desde o ano passado, e com uma dívida estimada em R$ 800 milhões, a paulista Ceagro, trading de grãos, de Campinas (SP), está trabalhando na criação de uma nova estrutura de governança a fim de realinhar as contas. A desestruturação do grupo aconteceu após a elevação, de forma rápida e pouco estruturada, do volume de originação dos grãos, que passou de 1,5 milhão para 2,4 milhões de toneladas, no ano passado. Com isso, a empresa teve de arcar com o aumento dos custos de produção.

FINANCIAMENTOS
Teto baixo

Com o novo Plano Safra 2015/2016, o governo federal ampliou para R$ 1,2 milhão, por produtor, o limite de financiamento da agricultura empresarial. Porém, a nova medida acabou com a possibilidade de o agricultor acessar o crédito rural acima desse teto, como ainda acontecia no ciclo 2014/2015 com o limite adicional. Segundo a Aprosoja Brasil, o custo de produção cresceu em torno de 25% neste ano e, diante desse quadro, o teto de empréstimos fixado para a nova safra é insuficiente.

BALANÇO
Bunge anuncia resultados

A americana Bunge informou no mês passado, que registrou lucro líquido de US$ 86 milhões no segundo trimestre deste ano, 70% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. No semestre, porém, o lucro cresceu 27%, alcançando US$ 349 milhões.


“O agronegócio representa uma ilha em meio a um cenário de retração da economia, sendo determinante para o equilíbrio da balança comercial” EDUARDO CUNHA, presidente da Câmara


Carne bovina
Exportação menor

No mês passado, o MDIC informou que as exportações de carne bovina, em julho, foram de 111,8 mil toneladas, volume 23% menor em relação ao mesmo mês de 2014. No acumulado do ano, as exportações somaram 746,9 mil toneladas, no valor de US$ 3,2 bilhões, recuo de 17% em volume e de 28% em receita.

Soja
Produção em alta

A produção de soja, no Brasil, será 1,2% maior na safra 2015/16. De acordo com a consultoria Céleres, serão colhidos 97 milhões de toneladas da oleaginosa, cultivadas em 32,2 milhões de hectares, aumento de 2,3% na área de cultivo. Contudo, a produtividade agrícola tende a ser 1,2% menor.


ANÁLISE
Produtores privilegiam a produção de etanol


Plínio Nastari, presidente da Datagro

Pressionado pelo quinto ano consecutivo de excedente mundial, o valor do açúcar em dólares continua refletindo o preço de oportunidade do fornecedor marginal, papel ocupado pelo Brasil, que representa 46% das exportações mundiais. Desde o início do ano, a desvalorização de cerca de 31% do real causou uma correção praticamente na mesma proporção do contrato de açúcar em Nova York, que chegou a 25,6%. O preço tem se mantido na faixa de 38 a 41 centavos de real por libra-peso, durante todo o período.

Com o mercado de açúcar sem grandes alterações, o foco do produtor brasileiro tem se concentrado na produção de etanol. O mix mais alcooleiro tem viabilizado o crescimento das vendas de etanol hidratado no mercado interno, que nos primeiros cinco meses do ano cresceu 34,9%, em relação a 2014. O maior consumo de etanol tem reduzido o volume de gasolina importada de forma significativa.