Economia

Um brinde para a seca

Saiba por que, apesar de menor, a colheita 2018 da uva gaúcha está sendo comemorada pelos produtores de vinho

Crédito:  Ivo Rodrigues da Rosa

RESULTADO: safra gaúcha se encerra neste início de março com uma estimativa de 630 mil toneladas (Crédito: Ivo Rodrigues da Rosa)

Afalta de chuva pode ser um transtorno para a maioria dos agricultores. Mas há quem comemore uma boa estiagem. Neste grupo estão os produtores de uva do Rio Grande do Sul, o maior Estado vitivinícola do País. A qualidade dos frutos ficou acima do esperado, por causa da longa seca registrada em grandes regiões produtoras, como as dos municípios de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, e de Santana do Livramento, na região da Campanha. “Apesar de haver uma queda de volume sobre o ano passado, a colheita foi uma das melhores da história”, afirma Oscar Ló, produtor de uva e presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), com sede em Bento Gonçalves. “Isso vai refletir em uma excelente safra de vinho, em especial o tinto.” Por causa da qualidade da fruta, o volume 16,4% menor ante a safra do ano passado é motivo de comemoração. Com o fim da colheita neste início de março, o Estado deve produzir 630 mil toneladas de uvas vitivinícolas. As variedades como merlot, carbenet sauvignon, pinot noir e chardonnay são próprias para a produção de vinhos e espumantes. Em 2017, os gaúchos produziram 485,4 milhões de litros de bebidas à base de uva.

O fenômeno climático La Niña, caracterizado pelo resfriamento das águas do oceano Pacífico, foi o grande responsável pela estiagem da região. Marcio Ferrari, vice-presidente do Ibravin, diz que, para sobreviver à seca, a planta acaba gastando as reservas de água dos frutos. “Isso deixou mais elevado o nível de açúcar nos bagos de uva”, afirma ele. “Quanto mais açúcar presente no fruto, melhor ficará o vinho.” Por isso, os produtores consideram tão especial essa colheita, que deve gerar R$ 2,6 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), em 2018, no Rio Grande do Sul, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O valor, que representa toda a riqueza movimentada nas propriedades, equivale a 59,2% do VBP da uva, nacionalmente.

Otimismo: para o presidente do Ibravin, Oscar Ló, a qualidade da uva renderá uma excelente safra de vinho (Crédito:Ivo Rodrigues da Rosa)

Grandes produtoras de vinhos, como as gaúchas Salton e Miolo Wine Group, ambas de Bento Gonçalves, já fizeram as suas reservas de frutas. O lote servirá para processar a safra de vinhos que chegará ao mercado em 2019. A Salton estima receber 13 mil toneladas de uva e a Miolo, 6,5 mil toneladas. “Já recebemos as uvas de colheita precoce, como a chardonnay e pinot noir”, diz o agrônomo Maurício Copat, da Salton. “A sanidade dos frutos também está superior à dos outros anos.”

O bom resultado embala o faturamento fora do País. O Ibravin contabilizou cerca de US$ 15 milhões com a venda de sucos, vinhos e espumantes para o exterior em 2017. O resultado foi 17,3% superior a 2016, com expectativa de melhorar os resultados por causa da atual safra. Os produtos foram destinados a 51 países, entre eles Japão, Paraguai, Estados Unidos, China, Reino Unido, México, Chile, Colômbia, Equador e República Dominicana.