Economia

Unidos pela Soja

As cotações em baixa da oleaginosa fazem com que Paraguai e Argentina segurem sua produção, à espera do melhor momento pa ra colocá-la à venda

Os agricultores da Argentina e do Paraguai estão comemorando o clima favorável para suas lavouras de soja neste ano. Somadas, as produções dos dois países podem superar a casa das 56 milhões de toneladas, alta de 27% ante a colheita da safra 2011/2012, prejudicada por uma forte estiagem. No entanto, a boa notícia sobre a colheita de 2013 veio acompanhada de uma previsão pouco animadora para as cotações da oleaginosa, que despencaram no mercado internacional, com a previsão de uma safra recorde no Brasil e com a recuperação dos níveis de produção americanos. Por isso mesmo, a saída encontrada foi segurar parte da soja colhida e aguardar o momento certo para vender.

“Os produtores estão vendendo só o essencial para pagar os custos”, diz Ricardo Mariscotti, corretor da Mariscotti Cereais, de Rosário, na Argentina. “Mas essa tarefa é mais difícil do que parece, pois, com a safra brasileira entrando, a janela de venda ficará mais apertada.”

A Argentina, que produziu 48 milhões de toneladas nesta safra, costuma vender mais de 30% da soja antes de sua colheita. E, com os preços em baixa, esse volume não ultrapassou 10%. Para Mariscotti, o risco dessa estratégia é segurar demais a safra de soja é não encontrar compradores, visto que o Brasil concluiu sua colheita de 81 milhões de toneladas no mês passado. Após esse período, toda a soja que não foi comercializada antecipadamente será ofertada, a preços atuais, no mercado, derrubando ainda mais os preços. Entre dezembro de 2012 e fevereiro deste ano, a tonelada da soja era vendida na Argentina a US$ 430. A partir de março, quando as primeiras lavouras começaram a ser colhidas, os preços recuaram até US$ 320 a tonelada. Segundo Mariscotti, nos primeiros quatro meses deste ano foram vendidos oito milhões de toneladas, contra 14 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. Na propriedade de Oscar Montenovo, em Conesa, município localizado a 80 quilômetros de Rosário, foram plantados 1,4 mil hectares com soja, que renderam uma colheita de 4,9 mil toneladas, quase o dobro do obtido na safra do ano passado. Apesar de a colheita ter iniciado em março, somente em abril as primeiras vendas foram realizadas pelo agricultor. “Neste ano, os preços caíram até US$ 100 por tonelada”, diz Montenovo. “A safra na mão ainda é um investimento mais seguro em meu país.” Segundo Patricia Bergero, diretora de informações e estudos econômicos da Bolsa de Comércio de Rosário, a incerteza gerada pela economia argentina, com inflação em alta e câmbio desvalorizado, mantém atadas as mãos dos produtores rurais, que mesmo com os preços em baixa ainda conseguem uma boa margem de lucro ao vender a soja. “O agricultor não tem alternativas mais rentáveis para investir o seu dinheiro”, diz Patricia. “Nesse caso, a saída também é segurar o grão e esperar uma valorização para vender.” De acordo com ela, os custos de produção argentinos, hoje giram em torno de US$ 262 por tonelada, o que significa um lucro de US$ 58 por tonelada, considerando o menor preço da cotação atual. No Paraguai, o discurso é similar ao da Argentina. Capitalizados, os produtores seguram sua soja à espera de preços mais atraentes. Nesta safra, o país prevê colher 7,8 milhões de toneladas, alta de 95% quando comparada aos quatro milhões de toneladas do ano passado. Para Ademar Fávero, diretor comercial da empresa de exportações da Agro Silo Santa Catalina, de Alto Paraná, os produtores paraguaios retêm 25% da safra em seus armazéns e silos. “Em maio do ano passado, toda a safra já estava vendida”, diz Fávero. “Neste ano, os sojicultores, que estão capitalizados, irão esperar para vender.”

Um dos agricultores que venderam sua soja para a Agro Silo é o brasiguaio Márcio Mattei, dono de uma fazenda de 750 hectares em Alto Paraná. “Não vendi tudo ainda, vou esperar o preço subir um pouco”, diz Mattei, nascido em Mondai, no Rio Grande do Sul. Segundo o agricultor, os preços alcançados neste ano chegaram a US$ 390 por tonelada, contra US$ 480 no primeiro quadrimestre de 2012. Na Cooperativa Agroindustrial Vale (C. Vale), com três unidades no Paraguai, os 400 produtores associados são responsáveis por cultivar 250 mil hectares com soja por ano. Além da oscilação de preços, os agricultores reclamam da logística para o escoamento da safra. “Faltam caminhões para transportar os grãos aos portos”, diz Fernando Américo Almeida Westphal, analista de operações e mercado da C. Vale. “Com isso, o custo do frete explodiu, comprometendo as margens dos produtores.”

A decisão de fugir da janela de vendas do Brasil, de março a maio, e aproveitar para vender sua soja antes da entrada da safra americana, a partir de setembro, provavelmente não produzirá os resultados esperados. No Brasil, a ordem dos sojicultores também é aguardar que as cotações melhorem. Dos 81 milhões de toneladas de soja que a Companhia Nacional de Abastecimento espera para a safra 2012/2013 no País, somente 65% foram vendidos até maio, ante os 75% registrados em 2012. “Teremos vendas de soja do Brasil até setembro”, diz Luiz Fernando Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. “O risco é Argentina, Brasil e Paraguai soltarem suas safras ao mesmo tempo, o que derrubaria as cotações.”

Segundo o analista, os preços da soja no mercado brasileiro variam entre R$ 52 a R$ 60 a saca de 60 quilos. No mesmo período de 2012, os valores ultrapassavam a casa dos R$ 90 por saca.

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